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	<title>Hora de Acordar</title>
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	<description>Blog com artigos sobre a possibilidade de um mundo alternativo.</description>
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		<title>Recicle esta ideia!</title>
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		<pubDate>Tue, 18 Aug 2009 20:03:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>thiagodemattos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Conhecimento Livre]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu sei, eu sei&#8230;já tava criando teia de aranha aqui. Digamos que eu estava deixando este pequeno espaço em pousio enquanto cultivava outras partes da minha vida. Mas trago pra vocês uma ótima pedida nesta semana! Trata-se do documentário &#8220;canadense&#8221; (entre aspas porque vendo o filme podemos dizer que tem matriz canadense, mas é na [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=horadeacordar.wordpress.com&amp;blog=5176629&amp;post=93&amp;subd=horadeacordar&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu sei, eu sei&#8230;já tava criando teia de aranha aqui. Digamos que eu estava deixando este pequeno espaço em pousio enquanto cultivava outras partes da minha vida.</p>
<p>Mas trago pra vocês uma ótima pedida nesta semana! Trata-se do documentário &#8220;canadense&#8221; (entre aspas porque vendo o filme podemos dizer que tem matriz canadense, mas é na verdade um documentário global) RiP: A Remix Manifesto. O filme está disponível numa lista de reprodução do youtube, dividido em nove partes por aquelas questões de limites de video.</p>
<p>No começo, o filme promete muito pouco e parece mais um trabalho amador de defesa do Girl Talk feito por um fã. Pros que não conhecem Girl Talk é um engenheiro biomédico conhecido mais pelo seu bico de DJ. Durante o desenrolar do filme, o autor do documentário apresenta uma mistura de argumentos judiciais, história do copyright e possíveis alternativas onde o nosso Brasil é visto como pioneiro, num elogio pra José Vasconcelos nenhum botar defeito em nossa quinta raça.</p>
<p>O grande trunfo do filme é que o autor induz o espectador a criar sua própria versão do filme, adicionando informações ou alterando trilhas e imagens. Confesso que estou tentado a contribuir, mas me falta tempo para a edição.</p>
<p>O único problema é que o vídeo se encontra em inglês e sem legendas. Pros familiarizados com o idioma, segue abaixo a primeira parte do documentário. Basta ir seguindo os vídeos relacionados para ver o filme todo. Acho dificil uma legenda definitiva para um filme que pretende estar sempre em mutação. Aproveitem!</p>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://horadeacordar.wordpress.com/2009/08/18/recicle-esta-ideia/"><img src="http://img.youtube.com/vi/zdwN6rRU0Xk/2.jpg" alt="" /></a></span>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/horadeacordar.wordpress.com/93/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/horadeacordar.wordpress.com/93/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/horadeacordar.wordpress.com/93/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/horadeacordar.wordpress.com/93/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/horadeacordar.wordpress.com/93/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/horadeacordar.wordpress.com/93/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/horadeacordar.wordpress.com/93/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/horadeacordar.wordpress.com/93/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/horadeacordar.wordpress.com/93/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/horadeacordar.wordpress.com/93/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/horadeacordar.wordpress.com/93/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/horadeacordar.wordpress.com/93/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/horadeacordar.wordpress.com/93/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/horadeacordar.wordpress.com/93/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=horadeacordar.wordpress.com&amp;blog=5176629&amp;post=93&amp;subd=horadeacordar&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Muita inatividade durante este ano</title>
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		<pubDate>Sun, 24 May 2009 15:02:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>thiagodemattos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Conhecimento Livre]]></category>

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		<description><![CDATA[Infelizmente, este ano terá atualizações bastante irregulares por motivos pessoais. Mas espero que vocês apreciem cada post novo que terá tanta qualidade quanto os textos anteriormente apresentados. Desta vez uma pequena apresentação sobre as implicações do uso de software proprietário e software livre com ênfase no papel desempanho pelos Estados do Nordeste brasileiro nesta área [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=horadeacordar.wordpress.com&amp;blog=5176629&amp;post=90&amp;subd=horadeacordar&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Infelizmente, este ano terá atualizações bastante irregulares por motivos pessoais. Mas espero que vocês apreciem cada post novo que terá tanta qualidade quanto os textos anteriormente apresentados. Desta vez uma pequena apresentação sobre as implicações do uso de software proprietário e software livre com ênfase no papel desempanho pelos Estados do Nordeste brasileiro nesta área de Software Livre. Apreciem.</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 364px"><img title="Retirado de Sevens Heaven" src="http://izaak.jellinek.com/tuxes/images/tux%20smashing%20windows.jpg" alt="Retirado de Sevens Heaven" width="354" height="480" /><p class="wp-caption-text">Retirado de Seven&#39;s Heaven</p></div>
<p><!-- 		@page { margin: 2cm } 		P { margin-bottom: 0.21cm } --></p>
<p class="western"><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span style="font-size:small;"><strong>COM LICENSA, SIM?</strong></span></span></p>
<p class="western"><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span style="font-size:small;">Cíntia Guedes e Matheus Araújo</span></span></p>
<p class="western">
<p class="western" align="justify"><strong><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">Navegar é preciso, pagar não é preciso</span></span></strong></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">É quase sempre proibido copiar, distribuir, reproduzir ou modificar a maioria dos produtos que tem como matéria-prima a informação, a tecnologia ou o conhecimento. Acostumamos com o tal dos ‘direitos reservados’, e é assim com a imensa maioria dos livros, CDs, softwares etc. Até pouco tempo, só com muito dinheiro era possível acompanhar o ritmo das inovações. Agora, proliferam-se no mundo inteiro movimentos que defendem a bandeira do sistema colaborativo de produção de conhecimento criando soluções palpáveis, inteligentes e rentáveis de produção, entre outras coisas, de Softwares Livres. Alternativas, aparentemente, mais acessíveis e bem mais justas[1].</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">A principal característica de um software livre é a abertura do código fonte. O usuário pode estudar como o software funciona e adaptá-lo às suas necessidades, alterando-o num sistema de soma e não de sobreposição, uma vez que um problema é solucionado ou uma nova adaptação é feita ela é divulgada e pode ser usada por todos, sem pagar nada. O software proprietário trabalha de maneira oposta: não permite que o usuário tenha acesso ao código fonte e cobra preços de softwares novos por pequenas inovações. Ou seja, enquanto o Software Proprietário é padronizado, o Software Livre permite adequações aos mais diferentes usos.</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">O exemplo maior desta disputa parece ser entre o Software Proprietário Windows e o Software Livre Linux, ambos, sistemas operacionais para computadores. Há diferenças bem marcadas entre os dois. A atualização do Linux é muito mais rápida, uma vez que não há necessidade de uma nova versão: os erros podem ser corrigidos por usuários em qualquer lugar do mundo. Já o Windows demora mais tempo para ser atualizado, pois o acesso às novas versões depende da Microsoft e do lançamento do produto no mercado. O Vista, a mais recente atualização do Windows, foi lançado em 2007, cinco anos depois de seu antecessor, a versão XP. Isso acontece porque o Windows utiliza a licença de reserva de direitos autorais enquanto o Linux utiliza outra licença &#8211; a GPL (General Public License ou Licença Pública Geral)[2].</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">Ao navegar pelo Software Proprietário que conferiu a Bill Gates o status de homem mais rico do mundo durante anos, encontramos uma interface altamente amigável, com ferramentas simples e práticas.- Além disso, o uso massivo do Windows faz com que ele seja, na maioria das vezes, muito mais familiar. Já o Linux, à primeira vista, parece coisa de outro planeta. O usuário comum, acostumado com a interface do Windows e sem conhecimentos aprofundados de informática, demora a habituar-se ao Linux. Segundo o estudante de jornalismo Breno Fernandes, que usa tanto o Windows quato o Linux, a maior dificuldade para um iniciante em Software Livre é dar-se conta de que não entende tanto de computadores como pensava. O exemplo é bastante ilustrativo: “imaginemos que a pessoa só usou o Internet Explorer toda a vida; e aí quando chega no Linux vai logo buscar o ezinho azul e o nome internet. Nesse momento, falta, ou tarda a vir, a informação de que Internet Explorer não é a Internet, mas um browser ou navegador, uma ferramenta, um software que te permite acessar a internet. ”. Ainda a superação do estranhamento inicial depende, em parte, da predisposição do usuário em conhecer um novo sistema.</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">Pensando justamente nesse tipo de consumidor, foi desenvolvido o Ubuntu &#8211; Linux for human beings (Linux para seres humanos) http://www.ubuntu-br.org/, um sistema operacional baseado no Linux e que promete ser muito mais fácil de usar.</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">O que chama atenção nesta disputa é que ela abrange não somente questões tecnológicas; toca também a política, a economia e a esfera do desenvolvimento social. “Construir e utilizar o software livre é uma maneira de trabalhar com a perspectiva de que o processo educacional tem que formar um cidadão para que ele seja autor, produtor de conhecimento e de culturas e não só um consumidor de informações”, afirma Nelson Pretto, professor da Faculdade de Educação da UFBA, fundador do Projeto Software Livre Bahia (PLS-Ba) e do projeto Tabuleiro Digital, que disponibiliza para a comunidade, na Faculdade de Educação, computadores em tabuleiros que se assemelham aos das baianas de acarajé. Os tabuleiros funcionam para navegação na internet por um curto intervalo de tempo – tempo de comer um acarajé – e todas as máquinas utilizam softwares livres.</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><strong><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">Liberdade em verde e amarelo</span></span></strong></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">&#8220;O software livre tem um significado fundamental para um país como o Brasil, porque tem como princípio a ideia de autonomia&#8221;, afirma Pretto. Ao que parece, os empresários brasileiros já se deram conta dessa vantagem: segundo pesquisa publicada no blog Cultura Digital (http://www.cultura.gov.br/blogs/cultura_digital), do Ministério da Cultura, já em 2007, 53% das empresas no país utilizam Softwares Livres e esse número sobe para 73% quando contadas apenas as empresas de grande porte (aquelas com mais de mil funcionários).</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">O discurso governamental veiculado tanto em jornais de grande circulação no país quanto nos aparatos de comunicação do Estado (blogs do governo, por exemplo ) afirma que o Brasil tem ferramentas para despontar no desenvolvimento de SL, principalmente para o mercado de exportação. Nesse setor, a região nordeste tem chances de abocanhar grande fatia da produção, uma vez que no eixo sul-sudeste existem indústrias para exportação de software proprietário que absorvem muito mais mão de obra e, possivelmente, deixam o mercado menos suscetível às investidas do SL.</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">Atualmente Pernambuco desponta na produção de SL; Salvador, embora ainda não possua filiais de grandes empresas de produção de SL, é referência no desenvolvimento. Foi em terras soteropolitanas que surgiu, por exemplo, o primeiro Twiki do Brasil. SL que permite a interação de grupos usando um mesmo navegador, um Twiki é uma plataforma de criação colaborativa de conteúdo, a exemplo da Wikipédia. E o que tornou Salvador pioneira foi a criação do Twiki do Instituto de Matemática da UFBA, que permite uma melhor comunicação entre alunos e professores, pois todos são cadastrados e podem consultar informações sobre as disciplinas do curso, ler e baixar arquivos.</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">Parecendo andar na contramão, o governador da Bahia, Jacques Wagner, assinou no primeiro semestre de 2008 um protocolo de intenções com a Microsoft, em que acertavam a parceria do governo do estado com a empresa para o desenvolvimento de ações de inclusão digital. Entre as ações, está prevista a doação de computadores para escolas públicas, obviamente com o Windows já instalado.</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">A bandeira do SL foi levantada pelo Governo Lula desde a campanha presidencial de 1998, e quem não se lembra do ex- ministro Gilberto Gil, logo depois de assumir o Ministério da Cultura em 2003, usando um pingüim na lapela? Era o Tux, um pingüim farto após ter comido vários peixes, mascote escolhido por Linus Torvalds pra representar o Linux. O uso do SL nas instituições federais foi incentivado principalmente pelo MinC e pelo Ministério da Educação, contudo, a decisão da adoção do SL fica a cargo do gestor de cada instituição. Ainda não há nenhuma lei que regulamente a questão.</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><strong><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">Bahia.br</span></span></strong></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">&#8220;E o Linux começa a incomodar&#8221;, é o que pontua Daniel Cason, estudante do curso de Ciências da Computação da UFBA e membro do Graco (Gestores da Rede Acadêmica de Computação) que gerencia parte da rede de computadores da sua faculdade desde 2005. O grupo de gestores funciona como uma oficina de redes prática, ou seja, o aluno trabalha efetivamente com o desenvolvimento e a manutenção de uma rede &#8211; o que para Cason deveria ser uma disciplina da grade curricular de qualquer curso de computação.</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">De acordo com Cason, a opção do Graco pelo uso de soluções livres é fundamental não só para o seu aprendizado acadêmico ou pelo fato de não serem cobradas licenças pelos softwares, mas também para uma eficiente manutenção da rede. A cada nova necessidade ou ideia que é apresentada e a cada falha encontrada os alunos têm a possibilidade de intervir nos softwares e de adequá-los às suas intenções. Afinal, eles próprios, através de um processo de criação conjunta, podem solucionar os problemas que encontram.</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">Vale ressaltar que o uso de um software livre não significa um uso necessariamente não comercial. No mercado de Salvador algumas empresas já apostam no uso do SL, seja buscando benefícios financeiros ou por ideologia, elas podem encontrar suporte em cooperativas que trabalham exclusivamente com tecnologias livres, e que oferecem desde serviços relacionados ao desenvolvimento de softwares até a migração de Software Proprietário para Software Livre. Este é o caso da Colivre www.colivre.coop.br , cooperativa soteropolitana, que oferece seus serviços desde a pessoas físicas, políticos, órgãos governamentais, ONG’s até mesmo a empresas privadas.</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">A cooperante Joselice de Abreu chama a atenção para a relação entre SL e Economia Solidária: &#8220;a gente desenvolve o software aqui e, se a população consome o nosso software, isso vai desenvolver a economia local&#8221;. Para ela, a questão é simples. Trata-se do consumo consciente, já que o capital que é investido localmente, num bairro, cidade ou estado tem um retorno muito mais rápido. “Quando usamos o suporte de uma empresa a qual podemos contatar por telefone ou ‘bater na porta’ é diferente de usar os serviços de uma multinacional, cujo suporte está em outro país”, exemplifica Abreu .</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">O caso parece simples: as tecnologias desenvolvidas próximas à comunidade possibilitam o retorno mais rápido do capital investido para a própria comunidade. Em Salvador, o movimento Software Livre cresce quase que escondido, em meio ao frenesi pelos pseudo-super-novos Softwares Proprietários que economizam seu tempo, ou seja, pela sempre nova (e cara!) solução dos seus problemas. A grande sacada é sempre a da multinacional, que pensa de maneira organizada e inteligente na inserção dos seus produtos no mercado. Ainda assim, mesmo para aqueles não muito dispostos com a causa do Software Livre, ele pode ser uma opção econômica e tanto ou mais eficiente do que o Software Proprietário. Mas quem sabe valha a pena inverter a lógica e refletir sobre o caso, ou como disse o professor Nelson Pretto: &#8220;Farinha pouca, um pouquinho de farinha pra todo mundo&#8221;.</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;"><strong>Notas</strong></span></span></p>
<p class="western" align="left"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">[1]  Esta reportagem foi publicada originalmente na revista Fraude: ano p5 &#8211; n.06 &#8211; Salvador/Bahia. Essa publicação é realizada pelos bolsistas do Programa Educação Tutorial da Faculdade de Comunicação da UFBA</span></span></p>
<p class="western" align="left"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">[2] Em termos gerais, a GLP se baseia em quatro liberdades:<br />
Liberdade n.o 0: A liberdade de executar o programa, para qualquer propósito;<br />
Liberdade n.o 1: A liberdade de estudar como o programa funciona e adaptá-lo para as suas necessidades. O acesso ao código-fonte é um pré-requisito para esta liberdade;<br />
Liberdade n.o 2: A liberdade de resdistribuir cópias de modo que você possa ajudar ao seu próximo;<br />
Liberdade n.o 3: A liberdade de aperfeiçoar o programa, e liberar os seus aperfeiçoamentos, de modo que toda a comunidade se beneficie deles. O acesso ao código-fonte também é um pré-requisito para esta liberdade<br />
Fonte: Wikipédia</span></span></p>
<p class="western" align="right"><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span style="font-size:small;">Publicado em 20 de maio de2009</span></span></p>
<p class="western" align="right"><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span style="font-size:small;">Disponível em:</span></span></p>
<p class="western" align="right"><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span style="font-size:small;">http://diplo.uol.com.br/2009-05,a2845</span></span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/horadeacordar.wordpress.com/90/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/horadeacordar.wordpress.com/90/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/horadeacordar.wordpress.com/90/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/horadeacordar.wordpress.com/90/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/horadeacordar.wordpress.com/90/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/horadeacordar.wordpress.com/90/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/horadeacordar.wordpress.com/90/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/horadeacordar.wordpress.com/90/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/horadeacordar.wordpress.com/90/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/horadeacordar.wordpress.com/90/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/horadeacordar.wordpress.com/90/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/horadeacordar.wordpress.com/90/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/horadeacordar.wordpress.com/90/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/horadeacordar.wordpress.com/90/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=horadeacordar.wordpress.com&amp;blog=5176629&amp;post=90&amp;subd=horadeacordar&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Retirado de Sevens Heaven</media:title>
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		<title>A História do Conto.</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Mar 2009 14:04:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>thiagodemattos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Desmatamento]]></category>

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		<description><![CDATA[Mais uma semana, mais um post com fontes variadas. O texto da vez é um conto de Ignacio de Loyola Brandão, escritor brasileiro que tem um forte apelo ao tema ambiental. O conto é um breve relato sobre a vida de um menino que gostava de tirar as folhas das árvores do jardim. Escrito em [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=horadeacordar.wordpress.com&amp;blog=5176629&amp;post=84&amp;subd=horadeacordar&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Mais uma semana, mais um post com fontes variadas. O texto da vez é um conto de Ignacio de Loyola Brandão, escritor brasileiro que tem um forte apelo ao tema ambiental. O conto é um breve relato sobre a vida de um menino que gostava de tirar as folhas das árvores do jardim. Escrito em uma forma narrativa bem simples, o texto de Brandão apresenta um final bastante crítico capaz de provocar uma reflexão crítica em quase todas as faixas etárias. Apreciem.</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 430px"><img title="Retirado do Blog Sentimentos em Imagens" src="http://sentimentosemimagens.blogs.sapo.pt/arquivo/oliveira.gif" alt="Retirado do Blog Sentimentos em Imagens" width="420" height="276" /><p class="wp-caption-text">Retirado do Blog Sentimentos em Imagens</p></div>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><strong><span style="color:#000000;"><span style="font-family:Times New Roman,serif;">O HOMEM QUE ESPALHOU O DESERTO</span></span></strong></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">Ignácio de Loyola Brandão</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:arial;">Quando menino, costumava apanhar a tesoura da mãe e ia para o quintal, cortando folhas das árvores. Havia mangueiras, abacateiros, ameixeiras, pessegueiros e até mesmo jabuticabeiras. Um quintal enorme, que parecia uma chácara e onde o menino passava o dia cortando folhas. A mãe gostava, assim ele não ia para a rua, não andava em más companhias. E sempre que o menino apanhava o seu caminhão de madeira (naquele tempo, ainda não havia os caminhões de plástico, felizmente) e cruzava o portão, a mãe corria com a tesoura: tome, filhinho, venha brincar com as suas folhas. Ele voltava e cortava. As árvores levavam vantagem, porque eram imensas e o menino pequeno. O seu trabalho rendia pouco, apesar do dia-a-dia, constante, de manhã à noite. </span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:arial;">Mas o menino cresceu, ganhou tesouras maiores. Parecia determinado, à medida que o tempo passava, a acabar com as folhas todas. Dominado por uma estranha impulsão, ele não queria ir à escola, não queria ir ao cinema, não tinha namoradas ou amigos. Apenas tesouras, das mais diversas qualidades e tipos. Dormia com elas no quarto. À noite, com uma pedra de amolar, afiava bem os cortes, preparando-as para as tarefas do dia seguinte. Às vezes, deixava aberta a janela, para que o luar brilhasse nas tesouras polidas. </span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:arial;">A mãe, muito contente, apesar de o filho detestar a escola e ir mal nas letras. Todavia, era um menino comportado, não saía de casa, não andava em más companhias, não se embriagava aos sábados como os outros meninos do quarteirão, não freqüentava ruas suspeitas onde mulheres pintadas exageradamente se postavam às janelas chamando os incautos. Seu único prazer era as tesouras e o corte das folhas. </span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:arial;">Só que, agora, ele era maior e as árvores começaram a perder. Ele demorou apenas uma semana para limpar a jabuticabeira. Quinze dias para a mangueira menor e vinte e cinco para a maior. Quarenta dias para o abacateiro, que era imenso, tinha mais de cinqüenta anos. E seis meses depois, quando concluiu, já a jabuticabeira tinha novas folhas e ele precisou recomeçar. </span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:arial;">Certa noite, regressando do quintal agora silencioso, porque o desbastamento das árvores tinha afugentado pássaros e destruído ninhos, ele concluiu que de nada adiantaria podar as folhas. Elas se recomporiam sempre. É uma capacidade da natureza, morrer e reviver. Como o seu cérebro era diminuto, ele demorou meses para encontrar a solução: um machado. </span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:arial;">Numa terça-feira, bem cedo, que não era de perder tempo, começou a derrubada do abacateiro. Levou dez dias, porque não estava habituado a manejar machados, as mãos calejaram, sangraram. Adquirida a prática, limpou o quintal e descansou aliviado. Mas insatisfeito, porque agora passava os dias a olhar aquela desolação, ele saiu de machado em punho, para os arredores da cidade. Onde encontrava árvores, capões, matos, atacava, limpava, deixava os montes de lenhas arrumadinhos para quem quisesse se servir. Os donos dos terrenos não se importavam, estavam em via de vendê-los para fábricas ou imobiliárias e precisavam de tudo limpo mesmo. </span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:arial;">E o homem do machado descobriu que podia ganhar a vida com o seu instrumento. Onde quer que precisassem derrubar árvores, ele era chamado. Não parava. Contratou uma secretária para organizar uma agenda. Depois, auxiliares. Montou uma companhia, construiu edifícios para guardar machados, abrigar seus operários devastadores. Importou tratores e máquinas especializadas do estrangeiro. Mandou assistentes fazerem cursos nos Estados Unidos e Europa. Eles voltaram peritos de primeira linha. E trabalhavam, derrubavam. Foram do sul ao norte, não deixando nada em pé. Onde quer que houvesse uma folha verde, lá estava uma tesoura, um machado, um aparelho eletrônico para arrasar. </span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:arial;">E enquanto ele ficava milionário, o país se transformava num deserto, terra calcinada. E então, o governo, para remediar, mandou buscar em Israel técnicos especializados em tornar férteis as terras do deserto. E os homens mandaram plantar árvores. E enquanto as árvores eram plantadas, o homem do machado ensinava ao filho a sua profissão.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="right">Fonte: BRANDÃO, Ignácio de Loyola. Cadeiras proibidas. 4. ed.</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="right">Rio de Janeiro: Codecri, 1984. p. 78-80.</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="right">Disponível em:</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="right"><a href="http://blogdomarco.wordpress.com/2006/07/14/o-homem-que-espalhou-o-deserto/">http://blogdomarco.wordpress.com/2006/07/14/o-homem-que-espalhou-o-deserto/</a></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="right">
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/horadeacordar.wordpress.com/84/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/horadeacordar.wordpress.com/84/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/horadeacordar.wordpress.com/84/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/horadeacordar.wordpress.com/84/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/horadeacordar.wordpress.com/84/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/horadeacordar.wordpress.com/84/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/horadeacordar.wordpress.com/84/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/horadeacordar.wordpress.com/84/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/horadeacordar.wordpress.com/84/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/horadeacordar.wordpress.com/84/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/horadeacordar.wordpress.com/84/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/horadeacordar.wordpress.com/84/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/horadeacordar.wordpress.com/84/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/horadeacordar.wordpress.com/84/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=horadeacordar.wordpress.com&amp;blog=5176629&amp;post=84&amp;subd=horadeacordar&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Retirado do Blog Sentimentos em Imagens</media:title>
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		<title>Reinventando as matrizes energéticas e comunicativas</title>
		<link>http://horadeacordar.wordpress.com/2009/03/10/reinventando-as-matrizes-energeticas-e-comunicativas/</link>
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		<pubDate>Tue, 10 Mar 2009 17:05:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>thiagodemattos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Olá amigos leitores deste blog! É com muita alegria que eu venho compartilhar uma idéia que me ocorreu algumas semanas atrás quando ainda publicava o texto do professor Ladislau Dowbor sobre a crise financeira. A idéia trata justamente de pensar criticamente sobre o espaço deste blog e sua função e propósitos aos quais foi originalmente [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=horadeacordar.wordpress.com&amp;blog=5176629&amp;post=80&amp;subd=horadeacordar&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Olá amigos leitores deste blog!</p>
<p>É com muita alegria que eu venho compartilhar uma idéia que me ocorreu algumas semanas atrás quando ainda publicava o texto do professor Ladislau Dowbor sobre a crise financeira. A idéia trata justamente de pensar criticamente sobre o espaço deste blog e sua função e propósitos aos quais foi originalmente criado.</p>
<p>Pois bem, aqueles que já acompanham o trabalho desde o início, sabem que este espaço foi criado por mim para difundir problemas e soluções que a nossa sociedade contemporânea enfrenta nos mais diversos campos, sejam eles do ponto de vista econômico, cultural, social ou político. Desta forma, o objetivo principal deste blog é justamente contribuir para a difusão de alternativas para nossa sociedade, trabalhando de forma conjunta e sustentável onde o objetivo final é o bem-estar em oposição ao lucro.</p>
<p>Neste sentido, nos últimos dias eu venho me questionando que, se por um lado o Hora de Acordar vem cumprindo seu papel, divulgando textos relevantes e todos aqueles que o visitam podem adquirir uma leitura de qualidade, por outro a limitação de formas de veicular a informação (me utilizava apenas de textos em primazia informativos) pode diminuir o alcance deste espaço. Desta forma, venho divulgar a minha decisão por romper com este modelo inicial de trazer apenas textos informativos sobre as temáticas já conhecidas deste espaço. Os objetivos, é claro, permanecem! Apenas a forma como estes objetivos serão trabalhados é que vai se pluralizar contando agora com novas formas de veiculação de informação, seja ela um documentário, uma poesia, um conto, uma série de imagens e, como não podia deixar de ser, os textos informativos que já são consagrados neste espaço.</p>
<p>Então, a mudança começa a partir de hoje! Apresento-lhes o documentário &#8220;Permacultura e Colapso&#8221; desenvolvido pela UFF dentro do Ecocentro IPEC.</p>
<p>Apreciem.</p>
<span style='text-align:center;display:block;'><object width='400' height='330' type='application/x-shockwave-flash' data='http://video.google.com/googleplayer.swf?docId=-4429935182555902708'><param name='allowScriptAccess' value='never' /><param name='movie' value='http://video.google.com/googleplayer.swf?docId=-4429935182555902708'/><param name='quality' value='best'/><param name='bgcolor' value='#ffffff' /><param name='scale' value='noScale' /><param name='wmode' value='opaque' /></object></span>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/horadeacordar.wordpress.com/80/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/horadeacordar.wordpress.com/80/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/horadeacordar.wordpress.com/80/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/horadeacordar.wordpress.com/80/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/horadeacordar.wordpress.com/80/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/horadeacordar.wordpress.com/80/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/horadeacordar.wordpress.com/80/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/horadeacordar.wordpress.com/80/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/horadeacordar.wordpress.com/80/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/horadeacordar.wordpress.com/80/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/horadeacordar.wordpress.com/80/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/horadeacordar.wordpress.com/80/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/horadeacordar.wordpress.com/80/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/horadeacordar.wordpress.com/80/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=horadeacordar.wordpress.com&amp;blog=5176629&amp;post=80&amp;subd=horadeacordar&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">thiagodemattos</media:title>
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	</item>
		<item>
		<title>Concluindo.</title>
		<link>http://horadeacordar.wordpress.com/2009/03/03/concluindo/</link>
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		<pubDate>Tue, 03 Mar 2009 20:52:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>thiagodemattos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia Política Internacional]]></category>

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		<description><![CDATA[Terceira e última parte do texto do prof. Dowbor. Reconheço que ficou um pouco extenso, mas preferi deixar um pouco maior a recortar no meio do raciocínio. Espero que gostem. A CRISE FINANCEIRA SEM MISTÉRIOS – PT. 3 Ladislau Dowbor Os lucros financeiros no Brasil Finalmente, e antes de entrar nas propostas, um comentário sobre [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=horadeacordar.wordpress.com&amp;blog=5176629&amp;post=74&amp;subd=horadeacordar&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Terceira e última parte do texto do prof. Dowbor. Reconheço que ficou um pouco extenso, mas preferi deixar um pouco maior a recortar no meio do raciocínio. Espero que gostem.</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><strong>A CRISE FINANCEIRA SEM MISTÉRIOS – PT. 3</strong></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Times New Roman,serif;">Ladislau Dowbor</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">Os lucros financeiros no Brasil</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><a name="nh22"></a> <span style="font-family:Arial,sans-serif;">Finalmente, e antes de entrar nas propostas, um comentário sobre a situação particular da intermediação financeira no Brasil. Basicamente, cinco grupos dominam o mercado. A ANEFAC, Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contábeis, apresenta mensalmente a taxa média de juros efetivamente praticada junto ao tomador final, pessoa física ou pessoa jurídica. [22]</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">Taxas de juros setembro/2005 X outubro/2008 &#8211; Pessoa Física</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><img src="http://diplo.uol.com.br/IMG/jpg/tabela1.jpg" border="0" alt=" alt=&quot;(JPG)&quot;" width="542" height="163" align="bottom" /></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">Fonte: ANEFAC, Pesquisa de Juros.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">Constatamos aqui taxas de juros da ordem de 140% na média geral, atingindo níveis estratosféricos no cheque especial, no cartão e nos empréstimos pessoais das financeiras. Estes juros são da ordem de 6 a 7% (ao ano) no máximo na Europa.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">Taxas de juros setembro/2005 X outubro/2008 &#8211; Pessoa Jurídica</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><img src="http://diplo.uol.com.br/IMG/jpg/fotografia2.jpg" border="0" alt=" alt=&quot;(JPG)&quot;" width="552" height="180" align="bottom" /></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">Fonte: ANEFAC, Pesquisa de Juros.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">Para pessoa jurídica, os juros anuais se mantêm em 68% durante 3 anos, sendo que os juros correspondentes na Europa seriam da ordem de 3% ao ano. É importante lembrar que neste período a taxa básica de juros Selic caiu de 19,75% para 13,75%, ou seja, 6 pontos percentuais (queda de 30,4%), sem que houvesse redução da taxa média para pessoa jurídica ou para pessoa física no mercado financeiro.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><a name="nh23"></a> <span style="font-family:Arial,sans-serif;">A situação aqui é completamente diferente dos bancos dos países desenvolvidos, que trabalham com juros baixos e alavancagem altíssima. Essencial para nós, é que sustentar no Brasil juros que são da ordem de mil por centos relativamente aos juros praticados internacionalmente, só pode ser realizado mediante uma cartelização de fato. Para dar um exemplo, o Banco Real (Santander Brasil) cobra 146% no cheque especial no Brasil, enquanto o Santander na Espanha cobra 0% (zero por cento) por seis meses até cinco mil euros. Os ganhos dos grupos estrangeiros no Brasil sustentam assim as matrizes. Lembremos ainda que a Anefac apresenta apenas os juros, sem mencionar as tarifas cobradas. Os resultados são os spreads fantásticos e lucros impressionantes que o setor apresenta, sobre um volume de crédito no conjunto bastante limitado (39% do PIB) para uma economia como o Brasil. A intermediação financeira tornou-se assim um fator central do chamado “custo Brasil”, e um vetor central da concentração de renda, e portanto de travamento dos processos produtivos. Os lucros são tão impressionantes, que ao abrigo deste cartel mesmo grupos de comércio, em vez de se concentrar em prestar bons serviços comerciais, hoje se concentram na intermediação financeira. [23]</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><a name="nh24"></a> <span style="font-family:Arial,sans-serif;">No período 2001-2008 menos da metade dos ganhos de produtividade do trabalho foi repassada ao trabalhador. A relação desigual entre o aumento de produtividade do trabalho e a remuneração (CUT – Custo Unitário do Trabalho) aparece claramente na pesquisa do IBGE e nos comentários do IPEA. [24]</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">A Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física do IBGE indica, por exemplo, que entre 2001 e 2008, houve aumento de produção física da indústria brasileira na ordem de 28,1%, com ganhos de produtividade do trabalhador de 22,6%. A folha de pagamento por trabalhador, em contrapartida, cresceu, em termos reais, 10,5% no mesmo período de tempo. Por conta disso, o Custo Unitário do Trabalho (CUT) – entendido como a razão entre o rendimento real médio por trabalhador ocupado e a produtividade – apresentou queda de 10,2% no mesmo período de tempo. Noutras palavras, a remuneração dos trabalhadores não tem acompanhado plenamente os ganhos de produtividade da indústria brasileira. Se não são os salários a incorporar completamente os ganhos de produtividade, não podem ser percebidos sinais de pressão sobre os custos de produção, o que poderia sugerir alguma pressão inflacionária. Sem o repasse pleno da produtividade aos trabalhadores, estimula a expansão do estrato superior na distribuição de renda no Brasil.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><img src="http://diplo.uol.com.br/IMG/png/graf_7_ladislau.png" border="0" alt=" alt=&quot;(PNG)&quot;" width="555" height="379" align="bottom" /></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">Esse processo apenas acelera uma tendência histórica. Junta-se aqui o efeito concentrador da intermediação financeira, com o não repasse dos aumentos da produtividade do trabalho aos trabalhadores No caso brasileiro, a queda da participação da remuneração do trabalho na renda nacional, durante os anos 1995 &#8211; 2004 foi da ordem de 45% para 35%, o que representa ao mesmo tempo uma queda mais acelerada do que a verificada nos países desenvolvidos vistos anteriormente e um nível absurdamente baixo.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><a name="nh25"></a> <span style="font-family:Arial,sans-serif;">O crescimento econômico, em particular na segunda gestão Lula, permitiu simultaneamente o aumento da renda dos estratos superiores e a melhoria muito significativa do rendimento dos trabalhadores. O salário mínimo na gestão Lula teve um aumento real de 46,05%, o que atinge cerca de 25 milhões de trabalhadores e 18 milhões de aposentados. Em 2009, a partir de fevereiro, o salário mínimo passou para 465 reais (160 euros). De certa forma, o Brasil já adotou uma política anticíclica antes da crise ao expandir o consumo na base da sociedade. Mas sejamos realistas: o ponto de partida é muito baixo e a desigualdade herdada é extrema. Uma política keynesiana ainda terá de subir vários degraus no Brasil. [25]</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">O Brasil tem evidentemente um grande trunfo na mão, que é a possibilidade de usar os bancos oficiais para reintroduzir concorrência no mercado cartelizado, permitindo ao mesmo tempo dinamizar a economia ao estimular consumo e investimento. Este mecanismo, ao que tudo indica, está sendo progressivamente implantado. O sistema de intermediação financeira dos grandes grupos terá de evoluir para mecanismos de concorrência, inclusive porque a cartelização é ilegal. No curto prazo, no entanto, parece claro que o funcionamento protegido da concorrência de um grupo de gigantes com lucros imensos gera, paradoxalmente, uma situação mais estável do que a da sobre-exposição dos grupos financeiros dos países desenvolvidos. O problema aqui é de que em vez de termos intermediários financeiros que facilitam as iniciativas econômicas, temos atravessadores que as encarecem. A intermediação financeira tornou-se aqui num dos principais instrumentos de concentração de renda e de desequilíbrios sociais.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">No geral tanto nos países desenvolvidos, como no Brasil, cada vez mais os lucros corporativos estão alimentando atravessadores financeiros, gerando uma ampla classe de rentistas. A questão, vista do ponto de vista de “quem paga”, tende a deslocar-se, na visão das pessoas, para pensar melhor em “a quem pagamos”. Trata-se de poupanças da população. Este ponto é essencial, pois tratando-se de um cassino gerado com dinheiro da população, proteger os especuladores pode legitimamente ser apresentado como uma proteção à própria população, pois é o dinheiro dela que está em risco. Isto gera, evidentemente, uma posição de chantagem, e uma correspondente posição de poder. E permite deixar de lado o que deve ser a questão central da canalização das poupanças: não se os intermediários estão ganhando ou perdendo dinheiro, mas a que agentes econômicos, a que atividades, a que tipo de desenvolvimento e com que custos ambientais devem servir estas poupanças. Bastará assegurar que não quebre um sistema cujo produto final não está servindo?</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">Para o Brasil, paradoxalmente, a crise financeira pode representar uma oportunidade. Somos o país da desigualdade. A metade da população ainda precisa ter acesso ao consumo básico diversificado, incluindo nisto não só o alimento e outros bens de primeira necessidade, mas também o consumo de bens sociais como saúde e educação, de infraestruturas sociais como redes de saneamento e redes de banda larga de comunicação e assim por diante. Em outros termos, uma expansão dos programas, em grande parte já desenvolvidos pelo governo, tem a virtude de ao mesmo tempo começar a resgatar a nossa imensa dívida social, e de dinamizar, através da maior demanda agregada (consumo popular e investimento público), as próprias atividades empresariais. Reorientar as nossas capacidades de financiamento cada vez mais neste sentido – ainda que reduzindo a dimensão do rentismo financeiro e das atividades especulativas – faz todo sentido.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">As medidas propostas: salvar o sistema ou transformá-lo?</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">Naturalmente, dado o peso político do sistema especulativo mundial engendrado nas últimas décadas, predomina na mídia e nas tomadas públicas de posição a busca de um simples conserto, um “arreglo” como dizem os hispânicos, que permita aos especuladores voltar aos bons dias. Inclusive, quase não se encontram explicações sobre os mecanismos: a mídia se concentra no que se tem chamado de “economia de elevador”, jogando diariamente cifras sobre porcentagens de ganhos e perdas, e entrevistando magos que decifram o futuro dos altos e baixos, sobre os quais em geral não têm a mínima idéia. A palavra chave, que protege o consultor, é sempre que “o mercado está nervoso”, o que implica cientificamente que tudo é possível.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">Mas a realidade é que algumas coisas mudaram de forma irremediável, constituindo deslocamentos sistêmicos. Primeiro, há o fato que a credibilidade dos Estados Unidos e o seu papel de liderança planetária, já fortemente abalados pelos golpes desferidos contra as Nações Unidas, as guerras irresponsáveis, o uso escancarado da tortura, e o desprezo geral pela concertação internacional – afundaram de maneira impressionante. Houve um deslocamento geopolítico sistêmico em direção ao mundo multipolar.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">Segundo, se já depois do calote de Nixon em 1971, com a desvinculação do dólar da sua cobertura em ouro, já se falava na morte do sistema Bretton Woods, hoje a visão torna-se muito mais ampla, pois houve uma falência generalizada dos mecanismos de regulação que se acreditava serem funcionais. Em particular, a regulação financeira havia sido montada como instrumento destinado a impedir o comportamento irresponsável por parte dos países em desenvolvimento, e a crise surge nos países que se propunham como modelo. Não há instrumentos de regulação multilateral para esta situação. A imagem de um Bretton Woods II, no sentido de uma reformulação sistêmica dos processos regulatórios e das regras do jogo, está no horizonte.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">Um terceiro ponto importante, é que diferentemente da crise de 1929, em que cada país se recolheu em posturas defensivas para lamber as suas feridas em mercados protegidos, desta vez há uma atitude concertada e multilateral para se enfrentar a crise. A rapidez com a qual se levantaram recursos para salvar instituições cuja credibilidade é baixíssima, mas cujo poder de estrago é imenso, aponta para uma nova cultura de construção de políticas multilaterais, mas também para o imenso poder político dos especuladores, que tudo farão para conter mudanças estruturais.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><a name="nh26"></a> <span style="font-family:Arial,sans-serif;">Quarto, e particularmente importante para nós, com a reunião do G20 em 15 de novembro de 2008, há pela primeira vez um reconhecimento planetário de que o mundo dito “em desenvolvimento” existe não apenas como fonte de matérias primas e de problemas, mas como fator essencial da construção de soluções. [26]</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><a name="nh27"></a> <span style="font-family:Arial,sans-serif;">Finalmente, o abalo planetário da confiança nas instituições financeiras não tem volta, pois são milhões os que foram prejudicados nas suas poupanças ou aposentadorias, e circulam em todos os meios de comunicação as contabilidades duplas, o uso dos paraísos fiscais para fraudar tanto o público como as obrigações fiscais, a falsificação dos dados sobre a situação real das instituições, o compadrio que preside às atividades das agências de avaliação de risco. No caso da Enron, depois da WorldCom e da Parmalat, houve uma ofensiva de propaganda em defesa do sistema, sugerindo a imagem das maçãs podres (bad apples) num sistema saudável. Hoje, esta imagem mudou, e a reconstrução da confiança só se dará no quadro de mudanças sistêmicas. São muitas bad apples. Esta mudança de contexto ainda não chegou a Basileia. [27]</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">Não é o caso aqui de entrar no detalhe da enxurrada de propostas que surgem, veremos apenas os rumos gerais. É interessante consultar as 47 propostas elencadas na sequência da reunião do G20 em novembro de 2008, a bateria de sugestões desenvolvidas por Barack Obama para reequilibrar a economia norte-americana (indo bastante além do mercado financeiro), a consulta organizada por Eichengreen a um conjunto de especialistas dias antes da reunião do G20, as propostas preliminares do Comitê de Supervisão Bancária de Basileia. Trata-se por enquanto de propostas, não mais do que isto.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">Da mesma forma como Bretton Woods exigiu dois anos de preparação por equipes técnicas, não se fará uma reformulação real em pouco tempo. Trata-se, até agora, de uma ampla lista de idéias. E não devemos perder de vista que os responsáveis (e beneficiários) do sistema jogarão a carta do tempo, esperando que a crise amaine para que nada mude. Elencamos a seguir alguns elementos destas primeiras propostas, sabendo que ainda carecem do arcabouço técnico de sua sistematização e do poder político de sua implementação.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><a name="nh28"></a><a name="nh29"></a> <span style="font-family:Arial,sans-serif;">Agrupando as propostas segundo os seus eixos de impacto, as mais significativas vêm na área da governança, já que claramente ninguém estava governando coisa alguma. [28] A principal questão envolve a existência ou não de um instrumento supranacional de regulação financeira global, na linha de uma World Financial Organization (WFO) análoga à Organização Mundial do Comércio (WTO na sigla inglesa). Dado o caráter internacional dos processos especulativos, a sua evolução para sistemas racionais de canalização de capitais em função de necessidades reais do desenvolvimento terá de alguma forma ser coordenada ao nível mundial. Na reunião do G20, qualquer opção neste sentido foi vetada pelos Estados Unidos, que colocaram nas resoluções a afirmação de que os problemas serão resolvidos antes de tudo pelos “reguladores nacionais”. Os Estados Unidos assim preservam a sua capacidade de agir mundialmente, mas de se regularem nacionalmente. Com esta visão, evidentemente, simplesmente não haverá regulação. [29]</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">Sobra então a cosmética relativa às organizações multilaterais existentes. Isto envolve a capitalização do Fundo Monetário Internacional, cujos recursos, da ordem de 250 bilhões de dólares, são ridículos frente à dimensão dos rombos financeiros gerados pelos bancos. Propõe-se igualmente a redistribuição dos votos no Fundo, retirando o poder de veto dos EUA. O BIS deveria também passar a ser administrado de forma mais ampla e receber maiores poderes e assim por diante. Continuamos, no entanto, no quadro destas propostas, com o dilema central: a finança se tornou mundial, mas não há nada que se pareça com um banco central mundial. Fluxos mundiais versus regulação nacional; processos globais versus gestão fragmentada. Who’s in charge?</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">Neste plano tem sido ainda colocado um argumento central: com a regulação fragmentada atual, qualquer país que passe a exercer algum controle sobre o movimento de entrada e saída de capitais, visando assegurar o seu uso produtivo e evitar os movimentos pró-cíclicos, passa imediatamente a ser discriminado nos movimentos, tanto pelos investidores institucionais como pelas agências de risco. A regulação, nestas condições, ou é planetária ou ineficiente.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><a name="nh30"></a><a name="nh31"></a> <span style="font-family:Arial,sans-serif;">Os conteúdos da regulação reforçada proposta são relativamente óbvios, e não muito misteriosos: trata-se antes de tudo de limitar a alavancagem, que atingiu conforme vimos níveis absurdos. Trata-se também de assegurar a transparência dos processos, e de organizar o acesso às informações não apenas individualmente, mas em termos sistêmicos. [30] Uma exigência igualmente óbvia é o controle da dupla contabilidade, que se generalizou, bem como o controle dos paraísos fiscais e das fraudes associadas ao “off-shore” financeiro. As agências de avaliação de risco ganhariam um quadro regulatório (“regulatory framework”) e não poderiam ser financiadas por quem avaliam. [31]</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><a name="nh32"></a> <span style="font-family:Arial,sans-serif;">Este tipo de recomendações constitui uma visão de que o sistema deve se manter, mas a sua governança deve melhorar. O problema básico, naturalmente, é o das próprias condições da governança. O elefante no meio da sala – o que não dá para não ver, e que é grande demais para mover – é o pequeno clube de gigantes mundiais que maneja todo este processo, que desencadeou o caos e que chamamos por alguma razão misteriosa de “forças de mercado”. A delicadeza com que se trata este grupo comove. Na declaração do G20 de 15 de novembro, merece apenas três linhas: “As instituições financeiras também (!) devem arcar com a sua parte da responsabilidade na confusão (turmoil), e deveriam fazer a sua parte para superá-la, inclusive reconhecendo as perdas, melhorando a informação (disclosure) e fortalecendo a sua governança e práticas de gestão de risco”. [32]</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><a name="nh33"></a> <span style="font-family:Arial,sans-serif;">Claessens é dos poucos que coloca com clareza a necessidade de “um novo regime para os grandes bancos internacionais”: “One internally consistent approach, perhaps the only one, is to establish a separate regime for large, internationally active financial institutions. This would mean an ‘International Bank Charter” with accompanying regulation and supervision, liquidity support, remedial actions as well as post-insolvency recapitalisation fund in case things go wrong. The idea is that a separate international college of supervisors, with professionals recruited internationally, would regulate, license and supervise these institutions”. [33] Em troca destas mudanças, os grupos poderiam “agir livremente”.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><a name="nh34"></a> <span style="font-family:Arial,sans-serif;">No conjunto, é óbvio que um sistema onde um país detém o poder de emitir uma moeda cujo uso é internacional, é estruturalmente desequilibrado. Qualquer proposta de se regular gigantes planetários sem haver um sistema supranacional efetivo é estruturalmente ineficaz. Na realidade, estamos aqui no reino do “wishful thinking”, de propostas destinadas a negociar a transição até sairmos magicamente do fundo do poço, para saudar a volta dos happy days e esperar a próxima crise. [34]</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">A grande incógnita neste início de 2009, é o próximo presidente dos Estados Unidos, que recebe um país profundamente desmoralizado e caótico nos planos político, militar, econômico e sobretudo ético. O caos gerado nesta presidência Bush, em que o poder de fato foi exercido não por um presidente, mas por corporações, políticos corruptos e fundamentalistas religiosos, abre espaço para mudanças profundas. Se as forças que estão se agregando em torno a Barack Obama terão dinamismo suficiente para gerar mudanças institucionais, é um ponto de interrogação, mas em todo caso é um potencial e uma oportunidade. Aliás a crise, ao cimentar a eleição de Obama, algo de positivo já trouxe.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">A convergência das crises: um outro desenvolvimento, outras instituições</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><a name="nh35"></a> <span style="font-family:Arial,sans-serif;">Tivemos portanto de imediato numerosas propostas de consertos do sistema, sem mexer na sua lógica. A intenção é claramente mostrar que no futuro será diferente, pois teremos governos severos e austeros que cobrarão resultados. Haverá postura e ética no sistema reformado. E os grupos responsáveis por tudo isto, que aliás aparecem tão pouco na mídia quando os dias são bons, passarão a se comportar de maneira socialmente responsável. As propostas surgem mesmo sem muita base institucional ou elaboração técnica, porque uma massa de poupadores no planeta está sendo atingida diretamente – da classe média para cima – pelo derretimento das suas poupanças e das suas esperanças de aposentadoria. [35] E na medida em que o caos financeiro gerado pelos especuladores está atingindo os produtores efetivos de bens e serviços, é o povo em geral que passa a sofrer as consequências. Dentro do sistema, há uma clara consciência da volatilidade política da situação. Propostas, em consequência, surgem rapidamente. A sua implementação – a não ser os trilhões demandados pelos grandes grupos – obedecerá a outros ritmos.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">O caos sistêmico gerado e a clara perda de governança econômica, frente ao desespero de uma imensa massa de pessoas prejudicadas, estão gerando um novo clima político. Estão se abrindo possibilidades de se colocar na mesa propostas mais amplas no sentido de um desenvolvimento que tenha pé e cabeça. Mais precisamente, gera-se um espaço para que surjam alternativas de desenvolvimento, e para que – não parece um objetivo exorbitante – o nosso próprio dinheiro sirva para fins úteis. Não se deve sonhar excessivamente – muito do espaço político gerado dependerá da profundidade da crise – e esta é uma incógnita. Mas é importante sim organizar alternativas sistêmicas, pois o que estamos sofrendo é uma crise estrutural de curto e médio prazos dentro de um quadro de crises mais amplas que se avizinham, particularmente nos planos social, climático, energético, alimentar, de água e outros.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">As propostas que estão surgindo vêm de pessoas como Jeffrey Sachs, que propõe que o uso dos recursos financeiros seja formalmente vinculado à construção das Metas do Milênio. Stiglitz trabalha com uma visão de fazer os objetivos de qualidade de vida nortearem a alocação de recursos, e não apenas o chamado Produto Interno Bruto. Hazel Henderson resgata a importância da taxa Tobin, que cobraria um imposto sobre transações internacionais especulativas para financiar um desenvolvimento socialmente mais justo. Ignacy Sachs trabalha com a visão de uma convergência da crise financeira com a crise energética e a necessidade de repensarmos de forma sistêmica o nosso modelo de desenvolvimento. Não se trata aqui de um idealismo excessivo, e sim de uma apreciação fria dos nossos desafios.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><a name="nh36"></a> <span style="font-family:Arial,sans-serif;">O gráfico que apresentamos abaixo constitui um resumo de macro-tendências, num período histórico de 1750 até a atualidade. As escalas tiveram de ser compatibilizadas, e algumas das linhas representam processos para os quais temos cifras apenas mais recentes. Mas no conjunto, o gráfico permite juntar áreas tradicionalmente estudadas separadamente, como demografia, clima, produção de carros, consumo de papel, apropriação da água, liquidação da vida nos mares e outros. A sinergia do processo torna-se óbvia, como se torna óbvia a dimensão dos desafios ambientais. [36]</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">O comentário do New Scientist sobre estas macrotendências foca diretamente o nosso próprio conceito de crescimento econômico:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">The science tells us that if we are serious about saving the Earth, we must reshape our economy. This, of course, is economic heresy. Growth to most economists is as essential as the air we breathe: it is, they claim, the only force capable of lifting the poor out of poverty, feeding the world’s growing population, meeting the costs of rising public spending and stimulating technological development – not to mention funding increasingly expensive lifestyles. They see no limits to growth, ever. In recent weeks it has become clear just how terrified governments are of anything that threatens growth, as they pour billions of public money into a failing financial system. Amid the confusion, any challenge to the growth dogma needs to be looked at very carefully. This one is built on a long standing question: how do we square Earth’s finite resources with the fact that as the economy grows, the amount of natural resources needed to sustain that activity must grow too? It has taken all of human history for the economy to reach its current size. On current form, it will take just two decades to double.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><img src="http://diplo.uol.com.br/IMG/jpg/graf_8_cor_ladislau.jpg" border="0" alt=" alt=&quot;(JPG)&quot;" width="496" height="319" align="bottom" /></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><a name="nh37"></a> <span style="font-family:Arial,sans-serif;">Fonte: New Scientist (18 October 2008, p 40). [37]</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">Estamos aqui entre pessoas que entenderam que se trata de um sistema que sem dúvida deixou de funcionar, e que está portanto em crise, mas que sobretudo é um sistema que quando funciona é inviável. As soluções têm de ser mais amplas. Esta visão mais ampla pode – e apenas pode – viabilizar mudanças mais profundas.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">A crise financeira tem esta particularidade de ser pouco transparente em termos de dinâmicas e de soluções, para a população em geral. Não é muito viável se colocar na rua grandes manifestações relativas à mudança dos mecanismos de regulação do BIS de Basileia. A grande defesa do sistema absurdo de especulação que enfrentamos, é que pouquíssimas pessoas entendem o que se passa. Mas se os mecanismos são obscuros, os impactos são visíveis, e estes sim podem mobilizar.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">A perda de empregos por parte de gente que estava cumprindo bem as suas funções produtivas, porque uns irresponsáveis gostam de ganhar dinheiro com poupança dos outros, gera indignação. A perda da base de sobrevivência de cerca de 300 milhões de pessoas no planeta que viviam de pesca artesanal, porque grandes empresas de pesca oceânica estão acabando com a vida nos mares, está gerando outra faixa de irritações políticas. O caos climático está trazendo as primeiras amostras do seu potencial, e está gerando outros desesperos, além de tomadas mais amplas de consciência. A contaminação da água doce por excessos de quimização, insuficiências clamorosas de saneamento, e esgotamento de lençóis freáticos, está levando a um conjunto de crises setoriais que envolvem desde a redução da pesca até à tragédia de 1,8 milhão de crianças que morrem anualmente por não ter acesso à água limpa, e à ameaça de regiões rurais que dependiam de uma segunda safra com irrigação.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">Não é o caso aqui de fazer um elenco das nossas tragédias. Mas o fato é que, com um pouco de recuo, já não são crises setoriais, e representam sim uma crise mais ampla de governança local, nacional, regional e planetária. Há uma convergência de problemas que se avolumam, cuja sinergia os torna mais ameaçadores, e cuja raiz comum encontra-se ao fim e ao cabo no fato que os nossos mecanismos atuais de governança não são suficientes. Com a globalização, financeirização e oligopolização de grandes eixos de atividades econômicas, o mercado perde de forma acelerada as suas funções reguladoras. E as alternativas, particularmente a capacidade de planejamento e de intervenção organizada, formas participativas e descentralizadas de gestão, gestão em rede e sistemas de parcerias, estão engatinhando. E o papel central do Estado, obviamente, tem de ser resgatado, nas numa visão muito mais horizontal e participativa.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">Ignacy Sachs resume bem o dilema: que desenvolvimento queremos? E para este desenvolvimento, que Estado e que mecanismos de regulação são necessários? Não há como minimizar a dimensão dos desafios. Com 6,7 bilhões de habitantes – e 70 milhões a mais a cada ano – que buscam um consumo cada vez mais desenfreado, e manejam tecnologias cada vez mais poderosas, o nosso planeta mostra toda a sua fragilidade. A questão básica que se coloca para a reformulação do sistema de intermediação financeira é que é criminoso o desperdício das nossas poupanças e do potencial mundial de financiamento no cassino global, quando temos desafios sociais e ambientais desta dimensão e urgência, e que necessitam vitalmente de recursos.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><a name="nh38"></a> <span style="font-family:Arial,sans-serif;">O desperdício de recursos financeiros nas dinâmicas atuais é avassalador. Segundo as Nações Unidas, “medidos em termos de paridade de poder de compra do ano 2000, o custo de se liquidar a pobreza extrema – o montante necessário para puxar 1 bilhão de pessoas para cima da linha de pobreza de $1 por dia – é de $300 bilhões”. [38] A realidade é que a utilidade marginal do dinheiro, em termos de sua capacidade de gerar qualidade de vida, decresce rapidamente quanto mais se eleva a renda. Em outros termos, quanto mais os recursos são orientados para a baixa renda, maior é a utilidade. Em termos prosaicos, rendem mais. Assegurar a renda mínima planetária faz todo sentido, é uma forma simples, com as tecnologias atuais, de multiplicar o valor real dos recursos. Como, além do mais, os recursos que chegam à base da pirâmide são transformados em demanda efetiva, e não em especulação, estimulando, portanto, a produção e o emprego, é a própria produtividade sistêmica dos recursos que aumenta. A solução que permite enfrentar simultaneamente os dramas sociais, os desafios ambientais e a racionalidade no uso de recursos econômicos está na resposta organizada às necessidades mais prementes da base da pirâmide. Estamos vivendo a era do desperdício. É tempo de orientar os recursos para os seus usos mais produtivos.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">As alternativas não serão construídas da noite para o dia. Algumas medidas são óbvias, e já estão sendo amplamente discutidas: controlar os paraísos fiscais, taxar os movimentos especulativos, organizar sistemas de controle e regulação sobre os intermediários financeiros, voltar a separar as atividades propriamente bancárias dos investidores institucionais, criar sistemas locais de financiamento e assim por diante.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">Mas numa visão mais abrangente, temos de estar conscientes de que estamos enfrentando a construção de uma nova institucionalidade. O planeta não sobrevive – e muito menos o bípede curiosamente chamado de homo sapiens – sem amplos processos colaborativos, visão de longo prazo, planejamento e intervenções sistêmicas. O papel do Estado precisa ser resgatado, já não como socorro de iniciativas corporativas irresponsáveis, mas como articulador de um desenvolvimento mais justo e mais sustentável, e com forte participação da sociedade civil organizada.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">Um outro mundo não é apenas possível, é necessário. O desafio para o mundo progressista é aproveitar as janelas de oportunidade que a crise financeira nos abre, para sistematizar uma visão alternativa. Temos de mostrar que uma outra gestão é possível.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">Viável? Lamentavelmente, esta não é a questão. As medidas terão de ser tomadas. O aquecimento global, por exemplo, está se dando, e a opção de se queremos ou não enfrentá-lo não está na mesa, e sim o como. A crise financeira representa apenas uma oportunidade – e não uma garantia – para organizarmos uma convergência de forças da sociedade interessadas num desenvolvimento que tenha um mínimo de viabilidade econômica, de equilíbrio social e de sustentabilidade.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><strong>NOTAS</strong><br />
</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;text-align:left;"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">[22] Ver Pesquisa mensal de juros, http://www.anefac.com.br/m3_preview.asp?cod_pagina=10782&amp;cod_idm=1.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;text-align:left;"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">[23] Segundo pesquisa industrial divulgada pelo O Estado de S. Paulo “na média entre outubro e dezembro, período mais agudo da crise mundial, que fez subir o custo dos financiamentos, os desembolsos para pagamentos de juros foram 11% superiores aos gastos com salários”. Pesquisa da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) sobre os gastos da indústria brasileira com pagamentos de juros (O Estado de S. Paulo, 02/02/09). O lucro de um grupo, o Bradesco, foi de 7,6 bilhões de reais em 2008, quanto o orçamento do Programa Bolsa Família, que atinge 48 milhões de pessoas, é de 11 bilhões. O “assistencialismo”, evidentemente, não é bem onde se comenta. Até uma pessoa tão pouco suspeita de proximidades com a esquerda como Marcos Cintra, clama contra o cartel de bancos comerciais no Brasil e os spreads escandalosos. (It’s the Spread, Stupid – Folha de São Paulo 2 de fevereiro de 2009), p.3 – Para os não familiarizados, vale lembrar que a formação do cartel significa que todos praticam juros e tarifas semelhantes, e que portanto não temos escolha. Trata-se assim de um imposto privado, e na medida em que cartel é crime, trata-se tecnicamente de crime contra a ordem econômica. A maravilha, é que não há culpado. O culpado é um ente invisível chamado misteriosamente de “mercado”.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;text-align:left;"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">[24] IPEA – Pobreza e riqueza no Brasil metropolitano – n.7, agosto de 2008, p. 11 – Documento disponível em http://www.ipea.gov.br/sites/000/2/comunicado_presidencia/ReducaoPobreza_CPresi7.pdf.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;text-align:left;"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">[25] Ver dados em http://www.brasil.gov.br/noticias/em_questao/.questao/eq762.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;text-align:left;"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">[26] A composição do Comité de Basileia de Supervisão de Bancos é eloquente: “The Basel Committee on Banking Supervision provides a forum for regular cooperation on banking supervisory matters. It seeks to promote and strengthen supervisory and risk management practices globally. The Committee’s members come from Belgium, Canada, France, Germany, Italy, Japan, Luxembourg, the Netherlands, Spain, Sweden, Switzerland, United Kingdom and United States.” www.bis.org/press/p081120.htm A era colonial não está tão longe.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;text-align:left;"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">[27] O PressRelease do presidente do Comitê: Mr Wellink emphasised that the Committee’s efforts will be &#8220;carried out as part of a considered process that balances the objective of maintaining a vibrant, competitive banking sector in good times against the need to enhance the sector’s resilience in future periods of financial and economic stress&#8221;. Trata-se portanto de manter um sistema visto como “vibrante e competitivo”, com algumas salvaguardas. www.bis.org/press/p081120.htm</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;text-align:left;"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">[28] O lema do BIS de Basileia comove: “The BIS is an international organization that fosters cooperation among central banks and other agencies in pursuit of monetary and financial stability”.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;text-align:left;"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">[29] “We will implement reforms that will strengthen financial markets and regulatory regimes so as to avoid future crises. Regulation is first and foremost the responsibility of national regulators who constitute the first line of defense against market instability.” (Declaração final do G20, ponto 8 &#8211; www.nytimes.com/2008/11/16/washington/summit-text.html)</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;text-align:left;"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">[30] Vários estudos preliminares apontam para o fato que as instituições financeiras faziam o seu cálculo de risco individualmente, mas considerando que o ambiente externo se manteria estável. Assim, ninguém fazia a avaliação de risco sistêmico, nem organizava informações a respeito. Stijn Claessens, do FMI, se refere ao fato que o próprio sistema de informações é inadequado: “The crisis has highlighted the size of information gaps we face, both nationally and internationally. More and better information is needed if markets and authorities are to better assess the build-up of systemic risk. Addressing this requires a review of rules on transparency, disclosure and reporting.” &#8211; What G20 Leaders must do&#8230; p. 30.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;text-align:left;"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">[31] Willem Buiter, da London School of Economics, sugere: “Make it impossible to combine rating activities with other profit-seeking activities in the same legal entity” – What G20 leaders must do&#8230; p. 19.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;text-align:left;"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">[32] Statement from G-20 Summit, 15 november 2008, ponto 8.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;text-align:left;"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">[33] Stijn Claessens, idem, p. 31</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;text-align:left;"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">[34] As propostas no Fórum de Davos 2009 mostram essa falta total de realismo frente às novas dinâmicas, com um pequeno catecismo chamado “5I Framework” (Insight, Information, Incentives, Investments, Institutions), na linha das bobagens tipo 5 S e semelhantes que ensinamos lamentavelmente nas ciências de gestão. O lema do World Economic Forum nos aparece como bastante cínico: “Committed to Improving the State of the World”. WEF, Global Risks 2009, p. 14 – http://www.marsh.pt/documents/globalrisks2009.pdf . As visões sistematizadas no Fórum Social Mundial 2009 hoje aparecem com toda a sua dimensão de bom senso.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;text-align:left;"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">[35] Com bom humor, o Economist de 6-12 de dezembro de 2008 mostra na capa um imenso buraco negro, e a manchete “Where have all your savings gone” (para onde foram todas as suas poupanças). O título é uma brincadeira com a música “Where have all the flowers gone” cantada por pessoas alegres em 1968. Mas na realidade, é a poupança de uma imensa massa de pessoas que foi para o buraco, e estas pessoas não estão nada alegres. Na realidade, não desapareceu riqueza, o mundo continua a contar com o mesmo número de casas, de carros etc. É o direito sobre estas casas e outros bens que mudou de mãos. Esta apropriação de riquezas por quem não as produziu, e inclusive desorganiza os processos produtivos, constitui um dos elementos centrais da deformação do sistema.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;text-align:left;"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">[36] New Scientist, October 18, 2008, p. 40; para acessar o gráfico online veja http://dowbor.org/ar/ns.doc; o dossiê completo pode ser consultado em www.newscientist.com/opinion ; os quadros de apoio e fontes primárias podem ser vistos em http://dowbor.org/ar/08_ns_overconsumption.pdf; contribuiram para o dossiê Tim Jackson, David Suzuki, Jo Marchant, Herman Daly, Gus Speth, Liz Else, Andrew Simms, Suzan George e Kate Soper.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;text-align:left;"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">[37] 1.Temperatura média no Hemisfério Norte / 2.População / 3.Concentração de CO2 / 4.PIB / 5.Perda de florestas tropicais e áreas florestais / 6.Extinção de espécies / 7.Veículos motorizados / 8.Uso da água / 9.Consumo de papel / 10.Exploração da pesca / 11. Destruição da camada de ozônio / 12.Investimentos estrangeiros</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;text-align:left;"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">[38] “Measured in 2000 purchasing power parity terms, the cost of ending extreme poverty – the amount needed to lift 1 billion people above the $1 a day poverty line – is $300 billion”. United Nations, Human Development Report 2005, p. 38. Sobre a renda mínima e a sua universalização, ver os trabalhos de Eduardo Suplicy, em particular Renda de Cidadania, Cortez/Perseu Abramo, São Paulo, 2006.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="right"><span style="font-family:Times New Roman,serif;">Texto publicado em 29 de janeiro de 2009.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="right"><span style="font-family:Times New Roman,serif;">Disponível em:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="right"><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><a href="http://diplo.uol.com.br/2009-01,a2772">http://diplo.uol.com.br/2009-01,a2772</a></span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/horadeacordar.wordpress.com/74/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/horadeacordar.wordpress.com/74/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/horadeacordar.wordpress.com/74/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/horadeacordar.wordpress.com/74/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/horadeacordar.wordpress.com/74/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/horadeacordar.wordpress.com/74/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/horadeacordar.wordpress.com/74/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/horadeacordar.wordpress.com/74/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/horadeacordar.wordpress.com/74/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/horadeacordar.wordpress.com/74/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/horadeacordar.wordpress.com/74/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/horadeacordar.wordpress.com/74/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/horadeacordar.wordpress.com/74/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/horadeacordar.wordpress.com/74/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=horadeacordar.wordpress.com&amp;blog=5176629&amp;post=74&amp;subd=horadeacordar&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Continuando&#8230;</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Feb 2009 13:00:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>thiagodemattos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Nesta semana: Segunda parte do texto de Ladislau Dowbor sobre a crise. Apreciem sem moderação! A CRISE FINANCEIRA SEM MISTÉRIOS &#8211; PT. 2 Ladislau Dowbor Dívida privada como porcentagem do PIB Fonte: Monthly Review. John Bellamy Foster and Fred Magdoff (Dez. 2008) [8] O endividamento doméstico total, público e privado, atinge em 2007quase 48 trilhões [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=horadeacordar.wordpress.com&amp;blog=5176629&amp;post=70&amp;subd=horadeacordar&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nesta semana: Segunda parte do texto de Ladislau Dowbor sobre a crise. Apreciem sem moderação!</p>
<p><strong><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span style="font-size:small;">A CRISE FINANCEIRA SEM MISTÉRIOS &#8211; PT. 2<br />
</span></span></strong></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span style="font-size:small;">Ladislau Dowbor</span></span></p>
<p align="left"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;"><strong>Dívida privada como porcentagem do PIB</strong></span></span></p>
<p align="justify"><img class="alignnone" title="ladislau1" src="http://diplo.uol.com.br/IMG/jpg/graf_1_pb_ladislau.jpg" alt="" width="485" height="408" /></p>
<p align="justify"><a name="nh8"></a><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">Fonte: Monthly Review. John Bellamy Foster and Fred Magdoff (Dez. 2008) [8]<a name="nh8" href="http://diplo.uol.com.br/2009-01,a2772#nb8"></a></span></span></p>
<p align="justify"><a name="nh9"></a><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">O endividamento doméstico total, público e privado, atinge em 2007quase 48 trilhões de dólares. Lembremos que o PIB mundial é de 55 trilhões, e os americanos estão endividados quase neste valor, vivendo artificialmente num castelo de cartas. [9]<a name="nh9" href="http://diplo.uol.com.br/2009-01,a2772#nb9"></a></span></span></p>
<p align="justify"><a name="nh10"></a><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">Os dois endividamentos, público e privado, dependem no caso americano de um desequilíbrio entre importações e exportações, da ordem de 1 trilhão de dólares anualmente. [10]<a name="nh10" href="http://diplo.uol.com.br/2009-01,a2772#nb10"></a> Este déficit sistemático levou a um acúmulo de reservas em dólares em particular pela China, que detém curiosamente hoje uma capacidade impressionante de desestabilização do sistema monetário norte-americano. Imagina, comenta informalmente Ignacy Sachs, o Partido Comunista da China salvando a economia americana.</span></span></p>
<p align="justify"><a name="nh11"></a><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">Neste final de 2008, as matrizes norte americanas de multinacionais estão comprando dólares nos mercados do mundo para se recapitalizar, e inúmeras empresas com dívidas denominadas em dólar buscam igualmente a moeda, além de especuladores tentando “realizar” papéis podres transformando-os em moeda real, gerando uma valorização. O médio prazo deste processo é simplesmente um ponto de interrogação, em particular considerando a gigantesca massa de dólares que os EUA emitiram quando estes eram – e ainda são em parte – ao mesmo tempo moeda nacional e moeda-reserva mundial. [11]<a name="nh11" href="http://diplo.uol.com.br/2009-01,a2772#nb11"></a></span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">O efeito desequilibrador que os Estados Unidos geram no planeta é poderoso, e isto torna as responsabilidades do novo governo eleito muito amplas. Os desequilíbrios monetários e financeiros foram-se acumulando durante as décadas da farra neoliberal, e hoje estão gravadas nas estruturas produtivas. Mais importante ainda, a dinâmica recente de concentração de renda nos Estados Unidos, inclusive com a drástica redução de impostos pagos pelos ricos, geraram uma cultura do lucro fácil e uma estrutura de poder que de tudo fará para manter o sistema. Os ajustes terão de ser profundos.</span></span></p>
<h3 class="western"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">Quem paga a conta?</span></span></h3>
<p align="justify"><a name="nh12"></a><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">A conta da irresponsabilidade norte-americana, devidamente imitada em outros países que até ontem nos davam lições, ainda está por ser apresentada. <a name="nh12" href="http://diplo.uol.com.br/2009-01,a2772#nb12"></a>[12] A curtíssimo prazo, e buscando conter o pânico entre eleitores, os governos dos países mais afetados procuraram tranquilizar os milhões de pequenos depositantes. Neste sentido, vários países passaram a assegurar que no caso de quebra de um banco, por exemplo, o governo ressarciria as perdas dos correntistas até 100 mil dólares, ou até sem limite, segundo os países. O processo é interessante, pois o correntista seria ressarcido do seu próprio dinheiro com dinheiro que pagou para o governo sob forma de impostos. A generosidade governamental escapa à compreensão de muitos, que acham que talvez devessem ser debitados os especuladores que afinal especularam precisamente com o dinheiro dos poupadores.</span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">Mas a grande massa de movimentação financeira foi evidentemente no socorro às instituições financeiras que estão quebrando. Neste início de 2009, a conta dos recursos mobilizados está em cerca de 4 trilhões de dólares. Como o ex-presidente Bush explicou candidamente, isto ia contra as suas convicções, mas como uma quebradeira geral iria prejudicar ainda mais a população, e sendo o bem-estar desta a sua preocupação maior, tinha de mobilizar o dinheiro necessário. Dinheiro público, naturalmente, pois se tratava justamente de não prejudicar os bancos ou seguradoras. Aqui também, para o público, ficou um sentimento profundamente ambíguo: alívio porque a quebradeira seria evitada, ou retardada, mas também a amarga constatação de que se estava salvando especuladores com o próprio dinheiro do público. Na primeira reviravolta do “mercado” após o anúncio dos 700 bilhões do governo americano, quando o mercado se recuperou momentaneamente, houve declarações – lamentavelmente públicas – de especuladores: “The happy days are back”. Já não dizem o mesmo, pelo menos por enquanto. Ponto essencial, é preciso lembrar que os trilhões desembolsados pelo governo não estarão disponíveis para políticas públicas em saúde, educação e assim por diante. Alguém tem de pagar.</span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">Um drama que ainda se desenrola, e de dimensões imprevisíveis, é o dos que pouparam a vida inteira para formar um fundo de pensão, e dos próprios grandes fundos que tinham os seus ativos aplicados em ações que perderam valor. É preciso lembrar que os administradores das grandes instituições de especulação trabalham essencialmente com dinheiro de terceiros, e que têm os seus salários – em geral na faixa de dezenas de milhões ao ano – garantidos, foram os primeiros a saber como realocar o que tinham em opções empresariais. Mas os detentores de ações perderam massas avassaladoras de recursos, mais de 30 trilhões neste início de 2009. Quando uma pessoa tem mil dólares em dinheiro, enquanto não houver um surto inflacionário, tem o seu poder de compra garantido. Mas quando os seus dólares foram transformados em papéis que perderam todo valor, estão arruinados. Muita gente procurou dólares para se livrar de ações de empresas perfeitamente produtivas, e que fazem coisas úteis, buscando a segurança do dinheiro vivo, agravando o processo.</span></span></p>
<p align="justify"><a name="nh13"></a><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">Gera-se assim um amplo efeito multiplicador, em que a irresponsabilidade da especulação financeira atinge áreas de atividades produtivas. Note-se aqui que “especulação” é o termo tecnicamente correto. O inglês não tem, como temos em português, a diferença entre investimento e aplicação financeira. Tecnicamente, o investimento é quando alguém constrói uma fábrica, por exemplo, e com o lucro da produção financiará a restituição do empréstimo e os juros correspondentes. À movimentação financeira correspondeu uma atividade produtiva. No caso da aplicação financeira apenas se transfere ativos financeiros de uma área para outra, não se gera produto ou serviço algum. [13]<a name="nh13" href="http://diplo.uol.com.br/2009-01,a2772#nb13"></a></span></span></p>
<p align="justify"><a name="nh14"></a><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">O Economist, que sempre considerou este último tipo de aplicação como “</span></span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;"><em>investment</em></span></span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">”, e durante décadas declarou que a especulação ajudava na mobilidade dos capitais e, portanto, no seu uso mais produtivo, hoje enfrenta grandes dificuldades para sair da saia justa: não querendo acusar os amigos de sempre de especuladores, passou a chamá-los de “</span></span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;"><em>speculative investors</em></span></span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">”. <a name="nh14" href="http://diplo.uol.com.br/2009-01,a2772#nb14"></a>[14] Os doutores sofistas de tempos passados não inventariam melhor.</span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">O desvio dos recursos financeiros que seriam disponíveis para investimento, transformando-os em aplicações financeiras, constitui na realidade uma esterilização da poupança e da capacidade de desenvolvimento real da economia. Com isto rompe-se um pacto não declarado: podemos falar da injustiça que representa algumas pessoas terem fortunas enquanto outras estão na miséria, mas sempre ficava na nossa cabeça a visão de que o rico, afinal, vai utilizar os seus lucros em investimentos, que irão gerar produtos e empregos. Hoje, não é mais o caso. Esta esterilização da poupança torna-se clara no gráfico abaixo, que mostra a elevação dos lucros enquanto cai o investimento.</span></span></p>
<h3 class="western"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">Lucros e investimento bruto como porcentagem do PIB (de 1960 ao presente)</span></span></h3>
<p align="justify"><img src="http://diplo.uol.com.br/IMG/jpg/graf_2_pb_ladislau.jpg" border="0" alt=" alt=&quot;(JPG)&quot;" width="485" height="406" align="bottom" /></p>
<p align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">Fonte: <em>Monthly Review</em>. (John Bellamy Foster and Fred Magdof, Dez. 2008)</span></span></p>
<p align="justify"><a name="nh15"></a><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">Temos assim um processo desequilibrado, em que por um lado os impressionantes avanços tecnológicos permitiram fortes aumentos de produtividade sistêmica no planeta, mas por outro lado a apropriação dos excedentes gerados se dá na mão de intermediários, não de produtores, e muito menos dos trabalhadores. Este desvio das capacidades financeiras, do investimento produtivo para as esferas da especulação, está no centro da perversão sistêmica que enfrentamos. [15]<a name="nh15" href="http://diplo.uol.com.br/2009-01,a2772#nb15"></a></span></span></p>
<h3 class="western"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">Especulação e concentração da renda</span></span></h3>
<p align="justify"><a name="nh16"></a><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">Num plano mais amplo, portanto, o próprio sistema é desequilibrado em termos de alocação e de apropriação de recursos, mesmo quando não há crise. Marjorie Kelly produziu nesta área um estudo particularmente interessante, intitulado “O direito divino do capital”. Analisando o mercado de ações dos Estados Unidos, Kelly constata que a imagem das empresas se capitalizarem por meio da venda de ações é uma bobagem, pois o processo é marginal: “Dólares investidos chegam às corporações apenas quando novas ações são vendidas. Em 1999, o valor de ações novas vendidas no mercado foi de 106 bilhões de dólares, enquanto o valor das ações negociado atingiu um gigantesco 20,4 trilhões. Assim que de todo o volume de ações girando em Wall Street, menos de 1% chegou às empresas. Podemos concluir que o mercado é 1% produtivo e 99% especulativo”. Mas naturalmente, as pessoas ganham com as ações e, portanto, há uma saída de recursos: “Em outras palavras, quando se olha para as duas décadas de 1981 a 2000, não se encontra uma entrada líquida de dinheiro de acionistas, e sim saídas. A saída líquida (</span></span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;"><em>net outflow</em></span></span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">) desde 1981 para novas emissões de ações foi negativa em 540 bilhões”&#8230; “A saída líquida tem sido um fenômeno muito real – e não algum truque estatístico. Em vez de capitalizar as empresas, o mercado de ações as tem descapitalizado. Durante décadas os acionistas têm se constituído em imensos drenos das corporações. São o mais morto dos pesos mortos. É inclusive inexato se referir aos acionistas como </span></span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;"><em>investidores</em></span></span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">, pois na realidade são </span></span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;"><em>extratores</em></span></span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">. Quando compramos ações não estamos contribuindo com capital, estamos comprando o direito de extrair riqueza”. [16]<a name="nh16" href="http://diplo.uol.com.br/2009-01,a2772#nb16"></a></span></span></p>
<p align="justify"><a name="nh17"></a><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">Esta forma de drenar a riqueza produzida pelas empresas está baseada num pacto de solidariedade nas próprias corporações, em que os acionistas são bem remunerados pelos seus aportes iniciais, e os administradores levam salários nababescos (na faixa de dezenas e frequentemente centenas de milhões de dólares anuais mais opções). <a name="nh17" href="http://diplo.uol.com.br/2009-01,a2772#nb17"></a>[17] Encontramos aqui a boa e velha mais valia, onde a produtividade do trabalho aumenta de forma acelerada graças às novas tecnologias, mas a participação da remuneração do trabalho declina. O FMI apresenta uma tabela bem clara referente aos países mais desenvolvidos:</span></span></p>
<h3 class="western"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">A participação do Trabalho no PIB</span></span></h3>
<p align="justify"><img src="http://diplo.uol.com.br/IMG/png/grafico_cor_1.png" border="0" alt=" alt=&quot;(PNG)&quot;" width="553" height="368" align="bottom" /></p>
<p align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">Fonte: IMF, <em>Finance&amp;Development</em>, (Jun 2007, p. 21).</span></span></p>
<p align="justify"><a name="nh18"></a><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">Constatamos que a parte da renda destinada à remuneração do trabalho cai sistematicamente entre 1980 e 2005 nos países avançados. É o efeito prático mais direto do neoliberalismo. É interessante lembrar que em 1980 se inicia, com Reagan e Margareth Thatcher, a onda neoliberal. E é bom recorrer às estatísticas do Fundo, pouco suspeito no caso. [18]<a name="nh18" href="http://diplo.uol.com.br/2009-01,a2772#nb18"></a></span></span></p>
<p align="justify"><a name="nh19"></a><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">A compreensão deste “pano de fundo” é importante, pois não se trata apenas de um sistema bom que entrou em crise por movimentos conjunturais: a financeirização dos processos econômicos vem há décadas se alimentando da apropriação dos ganhos da produtividade que a revolução tecnológica em curso permite, de forma radicalmente desequilibrada. Não é o caso de desenvolver o tema aqui, mas é importante lembrar que a concentração de renda no planeta está atingindo limiares absolutamente obscenos. [<a name="nh19" href="http://diplo.uol.com.br/2009-01,a2772#nb19">19</a>]</span></span></p>
<h3 class="western"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">Distribuição da renda</span></span></h3>
<p align="justify"><img src="http://diplo.uol.com.br/IMG/png/graf_4_II_cor_ladislau_.png" border="0" alt=" alt=&quot;(PNG)&quot;" width="428" height="328" align="bottom" /></p>
<p align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">Fonte: <em>Human Development Report</em> (1998, p. 37)</span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">A imagem da taça de champagne é extremamente expressiva, pois mostra quem toma que parte do conteúdo, e em geral as pessoas não têm consciência da profundidade do drama. Os 20% mais ricos se apropriam de 82,7% da renda. Como ordem de grandeza, os dois terços mais pobres têm acesso a apenas 6%. Em 1960, os 20% mais ricos se apropriavam de 70 vezes a renda dos 20% mais pobres, em 1989 são 140 vezes. A concentração de renda é absolutamente escandalosa, e nos obriga de ver de frente tanto o problema ético, da injustiça e dos dramas de bilhões de pessoas, como o problema econômico, pois estamos excluindo bilhões de pessoas que poderiam estar não só vivendo melhor, como contribuindo de forma mais ampla com a sua capacidade produtiva.</span></span></p>
<p align="justify"><a name="nh20"></a><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">Esta concentração não se deve apenas à especulação financeira, mas a contribuição é significativa e, sobretudo, é absurdo desviar o capital de prioridades planetárias óbvias. The Economist traz uma cifra impressionante sobre esta apropriação do excedente social, gerado essencialmente por avanços tecnológicos da área produtiva, pelo setor que simpaticamente qualifica de “indústria de serviços financeiros”: “The financial-services industry is condemned to suffer a horrible contraction. In America the industry’s share of total corporate profits climbed from 10% in the early 1980s to 40% at its peak in 2007” Gera-se uma clara clivagem entre os que trazem inovações tecnológicos e produzem bens e serviços socialmente úteis – os engenheiros do processo, digamos assim – e o sistema de intermediários financeiros, comerciais e advocatícios que se apropriam do excedente e deformam a orientação do conjunto. <a name="nh20" href="http://diplo.uol.com.br/2009-01,a2772#nb20"></a>[20]</span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">A evolução paralela da queda dos salários no PIB, e do aumento dos lucros financeiros, que aparece nos gráficos abaixo de Foster e Magdoff, torna o processo evidente.</span></span></p>
<h3 class="western"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">Aumento da participação financeira e não-financeira no PIB</span></span></h3>
<p align="justify"><img src="http://diplo.uol.com.br/IMG/jpg/graf_5_pb_ladislau.jpg" border="0" alt=" alt=&quot;(JPG)&quot;" width="485" height="408" align="bottom" /></p>
<h3 class="western"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">Porcentagem dos gastos com salários e benefícios em relação ao PIB (1970 = 100)</span></span></h3>
<p align="justify"><img src="http://diplo.uol.com.br/IMG/jpg/graf_6_pb_ladislau.jpg" border="0" alt=" alt=&quot;(JPG)&quot;" width="485" height="403" align="bottom" /></p>
<p align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">Fonte: <em>Monthly Review</em>. (John Bellamy Foster and Fred Magdoff, Dez. 2008).</span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">O cassino tornou-se um entrave central no processo de desenvolvimento em geral. Além da extração tradicional de mais-valia através da políticas salariais nas empresas, gerou-se assim um instrumento de concentração de renda no nível macroeconômico, por meio dos circuitos financeiros desregulados, processo que temos qualificado de mais-valia social.</span></span></p>
<p align="justify"><a name="nh21"></a><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">Desta forma, a crise, pela força do seu impacto, está simplesmente restabelecendo uma verdade elementar: o sistema financeiro não é um fim, é apenas um meio que deve facilitar as atividades socialmente úteis, com uma razoável remuneração no processo. Até o Economist, durante tantos anos defensor dos “investidores especulativos”, explicita o dilema: “In fact, the choice hinges on the interests of the economy as a whole. After all, it is taxpayers and savers who pay for the financial crises”. O relatório cita ainda James Tobin: “I suspect we are throwing more and more of our resources, including the cream of our youth, into financial activities remote from the production of goods and services, into activities that generate high private rewards disproportionate to their social productivity”. <a name="nh21" href="http://diplo.uol.com.br/2009-01,a2772#nb21"></a>[21] É um sistema que gerou um profundo divórcio entre quem contribui produtivamente para a sociedade e quem é remunerado.</span></span></p>
<p align="justify"><strong><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">NOTAS</span></span></strong></p>
<p align="left"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;"><a name="nb8" href="http://diplo.uol.com.br/2009-01,a2772#nh8"></a> [8] Disponível em http://www.monthlyreview.org/081201foster-magdoff.php</span></span></p>
<p align="left"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;"><a name="nb9" href="http://diplo.uol.com.br/2009-01,a2772#nh9"></a>[9] O Economist informa: “The world is only beginning to couint the cost of the bust. In America the share of household and consumer debt alone went up from 100% od GDP in 1980 to 173% today, the equivalent to around $6 trillion of extra borrowing” – </span></span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;"><em>The Economist, A Special Report on the Future of Finance</em></span></span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">, Janeiro 24, 2009, p. 20.</span></span></p>
<p align="left"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;"><a name="nb10" href="http://diplo.uol.com.br/2009-01,a2772#nh10"></a>[10] Em novembro de 2008 a balança comercial dos EUA estava deficitária em 848 bilhões nos 12 meses, segundo </span></span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;"><em>The Economist</em></span></span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">, 15 Novembro 2008, p. 118.</span></span></p>
<p align="left"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;"><a name="nb11" href="http://diplo.uol.com.br/2009-01,a2772#nh11"></a>[11] Avaliação de riscos futuros do dólar no WEF de Davos em 2009: “Major fall in US$: Experts consider that the dollar could come under pressure as investors reflect on the long-term impact of current monetary expansion, high fiscal deficits and the continuing fragility of the US financial system.” – World Economic Forum, Global Risks 2009, p. 28 – www.globalrisks2009.pdf.</span></span></p>
<p align="left"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;"><a name="nb12" href="http://diplo.uol.com.br/2009-01,a2772#nh12"></a>[12] A reunião do G20 se referiu de maneira extremamente delicada à responsabilidade norte-americana: “Policy-makers, regulators and supervisors, in some advanced countries, did not adequately appreciate and address the risks building up in financial markets” – </span></span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;"><em>Statement from the G-20 Summit</em></span></span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">, November 15, 2008, ponto 3 (grifo nosso, LD).</span></span></p>
<p align="left"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;"><a name="nb13" href="http://diplo.uol.com.br/2009-01,a2772#nh13"></a>[13] Típico deste mecanismo é o </span></span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;"><em>carry trade</em></span></span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">, onde um especulador pega um empréstimo barato por exemplo no Japão, e aplica onde rende mais, por exemplo no Brasil. Não produz nada, desorganiza a eficiência da política monetária de cada país, pelo próprio volume de recursos assim mobilizados.</span></span></p>
<p align="left"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;"><a name="nb14" href="http://diplo.uol.com.br/2009-01,a2772#nh14"></a>[14] The Economist, November 15, 2008, p. 89.</span></span></p>
<p align="left"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;"><a name="nb15" href="http://diplo.uol.com.br/2009-01,a2772#nh15"></a>[15] A Unctad, sob orientação de Rubens Ricúpero, já alertava no início dos anos 2000 para esta deformação do sistema. Ver por exemplo Unctad, </span></span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;"><em>Trade and Development Report 2001</em></span></span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">, p. VII; a avaliação de Ricúpero sobre as dimensões políticas da crise financeira podem ser encontradas em </span></span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;"><em>A crise financeira e a queda do muro de Berlim</em></span></span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;"> http://dowbor.org/crise/08ricupero.pdf</span></span></p>
<p align="left"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;"><a name="nb16" href="http://diplo.uol.com.br/2009-01,a2772#nh16"></a>[16] Marjorie Kelly – </span></span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;"><em>The Divine Right of Capital</em></span></span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;"> – Berrett-Koehler, San Francisco, 2001, páginas 33 e 35 – Reproduzimos aqui um segmento do que estudamos mais amplamente no ensaio </span></span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;"><em>Democracia Econômica</em></span></span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">, Vozes, 2008 – Ver também http://dowbor.org</span></span></p>
<p align="left"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;"><a name="nb17" href="http://diplo.uol.com.br/2009-01,a2772#nh17"></a>[17] As diversas classificações de pagamento aos administradores corporativos, com os valores, podem ser encontradas em http://toomuchonline.org/ExecPayScoreboard.html.</span></span></p>
<p align="left"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;"><a name="nb18" href="http://diplo.uol.com.br/2009-01,a2772#nh18"></a>[18] Fonte do gráfico: IMF, </span></span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;"><em>Finance&amp;Development</em></span></span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">, June 2007, p. 21.</span></span></p>
<p align="left"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;"><a name="nb19" href="http://diplo.uol.com.br/2009-01,a2772#nh19"></a>[19] Há imensa literatura sobre o assunto. O gráfico acima é do Relatório de Desenvolvimento Humano 1998 das Nações Unidas; para uma atualização em 2005, ver </span></span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;"><em>Human Development Report 2005</em></span></span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">, p. 37. Não houve mudanças substantivas. Uma excelente análise do agravamento recente destes números pode ser encontrada no relatório Report on the World Social Situation 2005, </span></span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;"><em>The Inequality Predicament</em></span></span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">, United Nations, New York 2005; O documento do Banco Mundial, </span></span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;"><em>The next 4 billion</em></span></span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">, que avalia em 4 bilhões as pessoas que estão “fora dos benefícios da globalização”, é igualmente interessante – IFC. </span></span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;"><em>The Next 4 Billion</em></span></span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">, Washington, 2007; estamos falando de dois terços da população mundial. Para uma análise ampliada do processos, ver o nosso </span></span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;"><em>Democracia Econômica</em></span></span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">, Ed. Vozes 2008, bem como o artigo Inovação Social e Sustentabilidade, ambos disponíveis em http://dowbor.org</span></span></p>
<p align="left"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;"><a name="nb20" href="http://diplo.uol.com.br/2009-01,a2772#nh20"></a>[20] The Economist, </span></span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;"><em>A Special Report on the Future of Finance</em></span></span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">, January 24th 2009, p. 20; é interessante notar que há pouca divergência nestes dados entre o FMI e The Economist de direita, e uma visão mais de esquerda de Foster e Magdoff. A convergência das cifras também reforça a confiabilidade.</span></span></p>
<p align="left"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;"><span style="font-weight:normal;"><a name="nb21" href="http://diplo.uol.com.br/2009-01,a2772#nh21"></a>[21] The Economist, </span></span></span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;"><em><span style="font-weight:normal;">A Special Report on the Future of Finance</span></em></span></span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;"><span style="font-weight:normal;">, January 24th 2009, p. 22.</span></span></span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/horadeacordar.wordpress.com/70/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/horadeacordar.wordpress.com/70/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/horadeacordar.wordpress.com/70/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/horadeacordar.wordpress.com/70/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/horadeacordar.wordpress.com/70/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/horadeacordar.wordpress.com/70/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/horadeacordar.wordpress.com/70/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/horadeacordar.wordpress.com/70/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/horadeacordar.wordpress.com/70/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/horadeacordar.wordpress.com/70/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/horadeacordar.wordpress.com/70/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/horadeacordar.wordpress.com/70/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/horadeacordar.wordpress.com/70/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/horadeacordar.wordpress.com/70/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=horadeacordar.wordpress.com&amp;blog=5176629&amp;post=70&amp;subd=horadeacordar&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Por dentro da crise&#8230;</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Feb 2009 20:50:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>thiagodemattos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia Política Internacional]]></category>

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		<description><![CDATA[Olá a todos os fiéis leitores deste blog irregular! É com um imenso prazer que retorno às minhas atvidades de atualização deste espaço e desta vez com um texto que será divido em algumas partes. O texto é de Ladislau Dowbor, renomado economista que já deu as caras neste blog anteriormente. Desta vez, Dowbor apresentará [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=horadeacordar.wordpress.com&amp;blog=5176629&amp;post=61&amp;subd=horadeacordar&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Olá a todos os fiéis leitores deste blog irregular!</p>
<p>É com um imenso prazer que retorno às minhas atvidades de atualização deste espaço e desta vez com um texto que será divido em algumas partes. O texto é de Ladislau Dowbor, renomado economista que já deu as caras neste blog anteriormente. Desta vez, Dowbor apresentará uma análise bem consistente da crise financeira que anda roubando a cena em todos os veículos de comunicação. De forma simples e sem vestir a roupagem dos termos excessivamente técnicos (o famoso economicês), o autor apresenta os principais pontos da crise, bem como das medidas que estão sendo tomadas. Espero que vocês apreciem o texto como sempre&#8230;</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 458px"><img title="Retirado do blog Hackenado Catatau" src="http://organismo.art.br/blog/wp-images/dinheiro2.jpg" alt="Retirado do blog Hackenado Catatau" width="448" height="336" /><p class="wp-caption-text">Retirado do blog Hackeando Catatau</p></div>
<p><span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span style="font-size:small;"><strong><span style="color:black;">A CRISE FINANCEIRA SEM MISTÉRIOS &#8211; PT. 1</span></strong></span></span><br />
<span style="font-family:Times New Roman,serif;"><span style="font-size:small;">Ladislau Dowbor</span></span></p>
<p align="justify">“<span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;"><em>Os benefícios fundamentais da globalização financeira são bem conhecidos: ao canalizar fundos para os seus usos mais produtivos, ela pode ajudar tanto os países desenvolvidos como os em via de desenvolvimento a atingir níveis mais elevados de vida.”</em> &#8211; IMF, Finance &amp; Development, March 2002, p. 13.</span></span></p>
<p align="justify">“<span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;"><em>Os administradores de fundos enriqueceram e os investidores viram o seu dinheiro desaparecer. E estamos falando de muito dinheiro, em todo esse processo”</em> ­- Paul Krugmann, Folha de São Paulo, 30-12-2008.</span></span></p>
<p align="justify">“<span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;"><em>O grau de perda de confiança do mundo nas suas instituições é sério”</em> &#8211; Klaus Schwab, fundador do Fórum Econômico Mundial, Davos, 2009.</span></span></p>
<h3 class="western"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">Tirando a roupa (financeira)</span></span></h3>
<p align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">As pessoas imaginam profundas articulações onde, em geral, há mecanismos bastante simples. Nada como alguns exemplos para ver como funciona. Há poucos anos estourou o desastre da Enron, uma das maiores e mais conceituadas multinacionais americanas. Foi uma crise financeira e um dos principais mecanismos de geração fraudulenta de recursos fictícios, foi um charme de simplicidade. Manda-se um laranja qualquer abrir uma empresa laranja num paraíso fiscal como Belize. Esta empresa reconhece por documento uma dívida de, por exemplo, 100 milhões de dólares. Esta dívida entra na contabilidade da Enron como “ativo”, e melhora a imagem financeira da empresa. Os balanços publicados ficam mais positivos, o que eleva a confiança dos compradores de ações. As ações sobem, o que valoriza a empresa, que passa a valer os cem milhões suplementares que dizia ter.</span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">Os executivos da Enron acharam o processo muito interessante. O setor de produção (que produzia efetivamente coisas úteis) foi colocado no seu devido lugar, e os magos da finança se lançaram no filão que apresentava a vantagem de ser menos trabalhoso e mais lucrativo. No momento da falência, a Enron tinha 1600 empresas fictícias na sua contabilidade. A empresa de auditoria Arthur Andersen não percebeu. As empresas de avaliação de risco não perceberam. A primeira tinha a Enron como cliente de consultoria. As segundas são pagas pelas empresas que avaliam.</span></span></p>
<p align="justify"><a name="nh1"></a><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">Partimos deste exemplo da Enron porque é simples, representa um mecanismo de fraude honesto e transparente. Não viu quem não quis. E também para marcar o que é uma cultura da área financeira, onde vale rigorosamente tudo, conquanto não sejamos pegos. Não é o reino dos inteligentes (tanto assim que quebram), mas dos espertos. E os que buscam produzir bens e serviços realmente úteis são levados de roldão, em parte culpados porque toleraram idiotas disfarçados em magos de finanças e marketing. Qualquer semelhança com empresas nacionais que se lançaram em aventuras especulativas é mera coincidência <a name="nh1" href="http://diplo.uol.com.br/2009-01,a2772#nb1"></a>[1].</span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">O estopim da crise financeira de 2008 foi o mercado imobiliário norte-americano. Abriu-se crédito para compra de imóveis por parte de pessoas qualificadas pelos profissionais do mercado de Ninjas (<em>No Income, No Jobs, no Savings</em>). Empurra-se uma casa de 300 mil dólares para uma pessoa, digamos assim, pouco capitalizada. Não tem problema, diz o corretor: as casas estão se valorizando, em um ano a sua casa valerá 380 mil, o que representa um ganho seu de 80 mil, que o senhor poderá usar para saldar uma parte dos atrasados e refinanciar o resto. O corretor repassa este contrato – simpaticamente qualificado de “sub-prime”, pois não é totalmente de primeira linha, é apenas sub-primeira linha – para um banco, e os dois racham a perspectiva suculenta dos 80 mil dólares que serão ganhos e pagos sob forma de reembolso e juros. O banco, ao ver o volume de “sub-prime” na sua carteira, decide repassar uma parte do que internamente qualifica de “junk” (aproximadamente lixo), para quem irá “securitizar” a operação, ou seja, assegurar certas garantias em caso de inadimplência total, em troca evidentemente de uma taxa. Mais um pequeno ganho sobre os futuros 80 mil, que evidentemente ainda são hipotéticos. Hipotéticos mas prováveis, pois a massa de crédito jogada no mercado imobiliário dinamiza as compras, e a tendência é os preços subirem.</span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">As empresas financeiras que juntam desta forma uma grande massa de “junk” assinados pelos chamados “ninjas”, começam a ficar preocupadas, e empurram os papéis mais adiante. No caso, o ideal é um poupador sueco, por exemplo, a quem uma agência local oferece um “ótimo negócio” para a sua aposentadoria, pois é um “sub-prime”, ou seja, um tanto arriscado, mas que paga bons juros. Para tornar o negócio mais apetitoso, o lixo foi ele mesmo dividido em AAA, BBB e assim por diante, permitindo ao poupador, ou a algum fundo de aposentadoria menos cauteloso, adquirir lixo qualificado. O nome do lixo passa a ser designado como SIV, ou <em>Structured Investment Vehicle</em>, o que é bastante mais respeitável. Os papéis vão assim se espalhando e enquanto o valor dos imóveis nos EUA sobe, formando a chamada “bolha”, o sistema funciona, permitindo o seu alastramento, pois um vizinho conta a outro quanto a sua aposentadoria já valorizou.</span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">Para entender a crise atual, não muito diferente no seu rumo geral do caso da Enron, basta fazer o caminho inverso. Frente a um excesso de pessoas sem recurso algum para pagar os compromissos assumidos, as agências bancárias nos EUA são levadas a executar a hipoteca, ou seja, apropriam-se das casas. Um banco não vê muita utilidade em acumular casas, a não ser para vendê-las e recuperar dinheiro. Com numerosas agências bancárias colocando casas à venda, os preços começam a baixar fortemente. Com isso, o Ninja que esperava ganhar os 80 mil para ir financiando a sua compra irresponsável, vê que a sua casa não apenas não valorizou, mas perdeu valor. O mercado de imóveis fica saturado, os preços caem mais ainda, pois cada agência ou particular procura vender rapidamente antes que os preços caiam mais ainda. A bolha estourou. O sueco que foi o último elo e que ficou com os papéis – agora já qualificados de “papéis tóxicos” – é informado pelo gerente da sua conta que lamentavelmente o seu fundo de aposentadoria tornou-se muito pequeno. “O que se pode fazer, o senhor sabe, o mercado é sempre um risco”. O sueco perde a aposentadoria, o Ninja volta para a rua, alguém tinha de perder. Este alguém, naturalmente, não seria o intermediário financeiro. Os fundos de pensão são o alvo predileto, como o foram no caso da Enron.</span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">Mas onde a agência bancária encontrou tanto dinheiro para emprestar de forma irresponsável? Porque afinal tinha de entregar ao Ninja um cheque de 300 mil para efetuar a compra. O mecanismo, aqui também, é rigorosamente simples. Ao Ninja não se entrega dinheiro, mas um cheque. Este cheque vai para a mão de quem vendeu a casa, e será depositado no mesmo banco ou em outro banco. No primeiro caso, voltou para casa, e o banco dará conselho ao novo depositante sobre como aplicar o valor do cheque na própria agência. No segundo caso, como diversos bancos emitem cheques de forma razoavelmente equilibrada, o mecanismo de compensação à noite permite que nas trocas todos fiquem mais ou menos na mesma situação. O banco, portanto, precisa apenas de um pouco de dinheiro para cobrir desequilíbrios momentâneos. A relação entre o dinheiro que empresta – na prática o cheque que emite corresponde a uma emissão monetária – e o dinheiro que precisa ter em caixa para não ficar “descoberto” chama-se alavancagem.</span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">A alavancagem, descoberta ou pelo menos generalizada já na renascença pelos banqueiros de Veneza, é uma maravilha. Permite ao banco emprestar dinheiro que não tem. Em acordos internacionais (acordos de cavalheiros, ninguém terá a má educação de verificar) no quadro do BIS (Bank for International Settlements) de Basileia, na Suíça, recomenda-se por exemplo que os bancos não emprestem mais de nove vezes o que têm em caixa, e que mantenham um mínimo de coerência entre os prazos de empréstimos e os prazos de restituições, para não ficarem “descobertos” no curto prazo, mesmo que tenham dinheiro a receber a longo prazo. Para se ter uma idéia da importância das recomendações de Basileia, basta dizer que os bancos americanos que quebraram tinham uma alavancagem da ordem de 1 para 40. [2]</span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">A vantagem de se emprestar dinheiro que não se tem é muito grande. Por exemplo, a pessoa que aplica o seu dinheiro numa agência verá o seu dinheiro render cerca de 10% ao ano. O banco tem de creditar estes 10% na conta do aplicador. Se emprestar este dinheiro para alguém a 20%, por exemplo, terá de descontar dos seus ganhos os 10% da aplicação. Mas quando empresta dinheiro que não tem, não precisa pagar nada, é lucro líquido. A alavancagem torna-se portanto muito atraente. E a tentação de exagerar na diferença entre o que tem no caixa e o que empresta torna-se muito grande. Sobretudo quando vê que outros bancos tampouco são cautelosos, e estão ganhando cada vez mais dinheiro. É uma corrida para ver quem agarra o cliente primeiro, pouco importa o risco. E os ganhos são tão estupendos&#8230;</span></span></p>
<h3 class="western"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">A ficção da regulação</span></span></h3>
<p align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">A “bolha” imobiliária vinha sendo comentada há pelo menos três anos. Greenspan previa um “soft landing”, ou seja, um esvaziamento suave da bolha, e não o “crash landing” que finalmente aconteceu. É interessante comparar a frase ufanista do FMI em 2002, que colocamos em epígrafe no início deste artigo, com a avaliação bastante mais cautelosa e até alarmante que aparece já em 2005: “Ainda que seja difícil ser categórico sobre qualquer coisa tão complexa como o sistema financeiro moderno, é possível que estes desenvolvimentos estejam criando mais movimento procíclicos que no passado. Podem igualmente estar criando uma probabilidade maior (mesmo que ainda pequena) de um colapso catastrófico (</span></span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;"><em>catastrophic meltdown</em></span></span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">).” [3]<br />
</span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">Em dezembro de 2007, o FMI lança um grito: “<em>Global governance: who’s in charge?”</em> diz a capa da publicação, claramente sugerindo que ninguém está “<em>in charge”</em>, ninguém está regulando nada. “Lax, if not fraudulent, underwriting practices in subprime mortgage lending largely explain the rise in the rate of seriously delinquent loans from 6 percent to 9 percent between the second quarter of 2006 and the second quarter of 2007”. Na época já estimava que o lixo tóxico (<em>troubled loans</em> como era ainda chamado) estava corrompendo (<em>disrupting</em>) o mercado financeiro americano de 57 trilhões de dólares. A culpa recai, segundo o Fundo, sobre a globalização do sistema, que levou ao abandono das “local depository institutions [which] make loans” em proveito dos “major Wall Street banks and securities firms, which employ the latest financial engineering to repackage mortgages into securities through credit derivatives and collateralized debt obligations”.</span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">O uso de paraísos fiscais está igualmente bem mapeado: “Securitization involves the pooling of mortgages into a special-purpose vehicle, which is simply a corporation registered in what is usually an off-shore tax-haven country”. Este e outros canais eram utilizados, segundo o Fundo, “to keep the subprime assets off their books and to avoid related capital requirements”. A expressão “keep off their books” nos é familiarmente conhecida como “caixa dois”. [4] Atribuir a crise ao “pânico” e outras manifestações irracionais não tem muito sentido. O pânico existe, pois as pessoas não gostam de perder dinheiro. Mas tem a sua origem no comportamento fraudulento quando não criminoso das principais instituições financeiras. E sobretudo na ausência de qualquer vontade ou capacidade reguladora do FED e do governo norte-americano.</span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">Quando os pequenos bancos locais se transformam em gigantes planetários, a imprensa apresenta a evolução como positiva, dizendo que os bancos ficam ‘mais sólidos”. A realidade é que ficam mais poderosos, logo menos controlados. No conjunto, o que aconteceu com a globalização financeira é que os papéis circulam no planeta todo, enquanto os instrumentos de regulação, os bancos centrais nacionais, estão fragmentados em cerca de 190 nações. Na prática, ninguém está encarregado de regular coisa alguma. E se algum país decide controlar os capitais, estes fugirão para lugares mais hospitaleiros (<em>market-friendly</em>), em processo muito parecido com os mecanismos de guerra fiscal entre municípios. Nas análises das Nações Unidas, isto é chamado de <em>race to the bottom</em>, corrida para o fundo, de quem reduz mais as suas próprias capacidades de controle.</span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">Lembremos aqui que os gigantes globalizados da finança, os chamados </span></span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;"><em>Institutional Investors</em></span></span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">, constituem um grupo pequeno e seleto. Segundo o New Scientist, 66 grupos apenas gerem 75% das movimentações especulativas planetárias que eram da ordem de 2,1 trilhões de dólares por dia na véspera do agravamento da crise em 2008. [5] É fácil imaginar o poder político que corresponde a esta capacidade de irrigar com dinheiro ou desequilibrar com fugas qualquer economia. Stigliz lembra bem que se trata de um clube de pessoas que circulam alternadamente entre Wall Street, o Departamento do Tesouro norte-americano, o FMI e o Banco Mundial. Paulson, o Secretário do Tesouro dos Estados Unidos, na gestão Bush, pertencia à Goldman &amp; Sachs. O mecanismo é familiarmente chamado de “porta giratória”.</span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">Haveria ainda de se considerar o papel regulador das agências avaliadoras de risco. O muito conservador The Economist chega a se indignar com o peso que adquiriu este oligopólio de três empresas – Moody’s, Standard &amp; Poor (S&amp;P) e Fitch – que “fazem face a críticas pesadas nos últimos anos, por terem errado relativamente a crises como as da Enron, da WorldCom e da Parmalat. Estes erros, a importância crescente das agências, a falta de competição entre elas e a ausência de escrutínio externo estão começando a deixar algumas pessoas nervosas”. O The Economist argumenta também que as agências de avaliação são pagas pelos que emitem títulos, e não por investidores que utilizarão as avaliações de risco, com evidentes conflitos de interesse. O resultado é que “a mais poderosa força nos mercados de capital está desprovida de qualquer regulação significativa”. [6]</span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">A pá de cal na capacidade de regulação veio no final dos anos 1990 quando se liquidou a separação entre os bancos comerciais tradicionais, que tipicamente recebiam depósitos de correntistas e faziam empréstimos locais, e os investidores institucionais. Todo mundo passou a fazer o que quisesse, os intermediários financeiros passaram a ser “supermercados” de produtos financeiros e inclusive grandes empresas industriais e comerciais viraram especuladores. [7]</span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">Nesta discrepância entre finanças globais e regulação nacional, jogam um papel complementar importante os paraísos fiscais, cerca de 70 “nações”, ilhas da fantasia onde frequentemente existem mais empresas registradas do que habitantes, e onde não se pagam impostos nem exigem relatórios de atividades. Estes paraísos exercem hoje o papel que no século XVIII desempenhavam algumas ilhas do Caribe que constituíam abrigos permanentes de piratas, onde os produtos da ilegalidade podiam ser estocados, trocados e comercializados. Mudou apenas o tipo de produto, encobrindo não só caixa dois, como evasão fiscal, tráfego de armas e lavagem de dinheiro. Não haverá um mínimo de ordem financeira mundial enquanto subsistirem estes <em>off-shores</em> de ilegalidade.</span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">Circo, cassino, ciranda financeira, estes são os termos com os quais já há tempos especialistas têm designado o carnaval econômico que oportunistas dos mais variados tipos desenvolvem com dinheiro que não é deles – se trata de poupanças da população ou de emissão de dinheiro com autorização pública – e que acaba quebrando não os próprios intermediários, mas pessoas, empresas ou países que produzem, poupam e investem.</span></span></p>
<h3 class="western"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">O papel dos Estados Unidos</span></span></h3>
<p align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">O epicentro da atual crise está nos Estados Unidos, e o eixo desencadeador foi o mercado imobiliário. Mas a diferença relativamente às crises dos <em>hedge funds</em> ou do <em>Long Term Capital Management</em> (LTCM) de poucos anos atrás, é a nova fragilidade dos Estados Unidos. A tradição ideológica exige que se considere os EUA à beira do colapso ou como poderoso bastião do capitalismo, segundo as posições. A realidade é que se trata sim de um poderoso bastião, mas impressionantemente fragilizado.</span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">Os Estados Unidos têm uma dívida pública de 10,5 trilhões de dólares. Como ninguém consegue imaginar o que pode representar tal soma, vale a pena lembrar que o PIB mundial é da ordem de 55 trilhões de dólares. Ou seja, a dívida pública norte-americana representa cerca de um quinto do PIB mundial. É um país que vive acima de suas posses. O <em>American Way of Life</em> é amplamente artificial. Sem falar do conteúdo das atividades: os custos advocatícios empresariais são da ordem de 370 bilhões de dólares por ano, e pode-se duvidar se este aumento do PIB gera qualidade no <em>Way of Life</em>.</span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">O endividamento como nação se reflete na situação das famílias. O americano adulto médio tem oito cartões de crédito, e gasta um terço da sua renda com o pagamento de dívidas. Apresentado no momento da concessão, o crédito aparece como um instrumento de dinamização da conjuntura, pois aumenta a capacidade de compra da família. No entanto, cada dívida significa não só reembolso, como pagamento de juros e, na realidade, o que se consegue com endividamento é uma antecipação de consumo, e não o seu aumento. Quando chega a hora de pagar, o efeito se inverte. Até onde irão as famílias norte-americanas no faz-de-conta de prosperidade.</span></span></p>
<p align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;"><strong>NOTAS</strong></span></span></p>
<p align="left"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;"><a name="nb1" href="http://diplo.uol.com.br/2009-01,a2772#nh1"></a> [1]“A sedução do jogo envolveu até gerentes de empresas industriais, como os da Sadia, que perdeu R$670 milhões apostando em derivativos, e a Aracruz, que perdeu R$1,85 bilhão” – Bernardo Kucinski, Revista do Brasil, Novembro 2008, p. 18; a Sadia demitiu 350 funcionários em janeiro de 2009, como se fossem os responsáveis.</span></span></p>
<p align="left"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;"><a name="nb2" href="http://diplo.uol.com.br/2009-01,a2772#nh2"></a> [2]A Lehman, por exemplo, com alavancagem de 31 em 2007, entrou numa corrida para reduzi-la e tentar evitar a quebra que acabou ocorrendo. (Business Week, july 28, 2008, p. 27). A revista explica um mecanismo simples: se a instituição emprestou 150 bilhões sobre um capital de 10 bilhões, portanto com uma alavancagem de 15, uma redução de 3 bilhões de capital próprio a obrigaria a reduzir a sua exposição em 45 bilhões (3 bilhões x 15) para manter a mesma alavancagem. Haja “liquidez”. No momento da quebra a Lehman tinha bilhões em cerca de um milhão de acordos de “derivativos” com cerca de 8 mil empresas, deixando os novos administradores bastante desorientados.[Business Week, October 20, 2008, p. 34.</span></span></p>
<p align="left"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;"><a name="nb3" href="http://diplo.uol.com.br/2009-01,a2772#nh3"></a>[3] Raghuram Rajan, diretor do departamento de pesquisa do FMI, </span></span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;"><em>Finance and Development</em></span></span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">, IMF, September 2005, p. 54, sob o título “Risky Business”. – No original: “While it is hard to be categorical about anything as complex as the modern financial system, it’s possible that these developments are creating more financial-sector induced procyclicality than in the past. They may also create a greater (albeit still small) probablility of a catastrophic meltdown”.</span></span></p>
<p align="left"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;"><a name="nb4" href="http://diplo.uol.com.br/2009-01,a2772#nh4"></a>[4] IMF, </span></span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;"><em>Finance and Development</em></span></span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">, December 2007, Sub-prime: Tentacles of a Crisis, p. 15 e ss. O autor do artigo, Randall Dodd, é </span></span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;"><em>Senior Financial Expert in the IMF Monetary and Capital Markets Department</em></span></span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">.</span></span></p>
<p align="left"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;"><a name="nb5" href="http://diplo.uol.com.br/2009-01,a2772#nh5"></a>[5] </span></span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;"><em>New Scientist</em></span></span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">, 25 October 2008, p. 9.</span></span></p>
<p align="left"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;"><a name="nb6" href="http://diplo.uol.com.br/2009-01,a2772#nh6"></a>[6] The Economist, </span></span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;"><em>Credit-rating agencies: Special Report – 28 de março de 2005</em></span></span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;">, p. 67 e 68. A última citação é de Glenn Reynolds, de uma firma independente de pesquisa de crédito, no mesmo artigo. O The Economist de 15 de novembro de 2008 refere-se ao “oligopólio criado”, e ao “central conflict bedevilling the industry:although ratings are relied on by investors and regulators as impartial measures, the rating agencies are paid by those they rate for their judgments. With their marks of approval stamped all over the most toxic assets poisoning the financial system, they were quickly blamed for helping cause the credit crunch”(p. 91).</span></span></p>
<p align="left"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:small;"><a name="nb7" href="http://diplo.uol.com.br/2009-01,a2772#nh7"></a>[7] Paul de Grauwe explica: “<em>We learned from the Great Depression that in order to avoid such crises we have to limit risk taking by bankers. We unlearned this lesson during the 1980s and 1990s when the banking sector was progressively deregulated, thus giving banks opportunities to seek high risk investments. The culmination of this deregulatory movement was the repeal of the Glass-steagall Act in 1999 under the Clinton Administration. This ended the separation of the commercial and investment banking activities in the US – a separation that had been in place since the 1930s banking collapse. Repeal of the Glass-Steagall Act opened the gates for US banks to take on the full panoply of risky assets (securities, derivatives and structured products) either directly on their balance sheets or indirectly through off-balance sheet conduits. Similar processes of deregulation occurred elsewhere, in particular in Europe, blurring the distinction between investment and commercial banks, and in the process creating “universal banks”. It now appears that this deregulatory process has sown the seeds of instability in the banking system”. Paul de Grauwe, Returning to narrow banking, What G20 leaders must do to stabilise our economy and fix the financial system, VoxEU.org Publication, November 9, 2008, p. 37</em> – O documento apresenta visões e propostas de 17 especialistas, em trabalho coordenado por Barry Eichengreen &#8211; http://www.voxeu.org/index.php?q=node/2543</span></span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/horadeacordar.wordpress.com/61/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/horadeacordar.wordpress.com/61/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/horadeacordar.wordpress.com/61/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/horadeacordar.wordpress.com/61/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/horadeacordar.wordpress.com/61/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/horadeacordar.wordpress.com/61/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/horadeacordar.wordpress.com/61/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/horadeacordar.wordpress.com/61/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/horadeacordar.wordpress.com/61/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/horadeacordar.wordpress.com/61/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/horadeacordar.wordpress.com/61/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/horadeacordar.wordpress.com/61/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/horadeacordar.wordpress.com/61/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/horadeacordar.wordpress.com/61/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=horadeacordar.wordpress.com&amp;blog=5176629&amp;post=61&amp;subd=horadeacordar&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Mais consumo, menos consciência.</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Jan 2009 13:00:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>thiagodemattos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Consumo responsável]]></category>
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		<description><![CDATA[Estamos aqui novamente em nosso encontro periódico e nesta semana trago-lhes um texto da psicóloga Maria Helena Masquetti que trata sobre os efeitos nocivos da propaganda nas crianças, indivíduos que apenas começam a discernir sobre o mundo ao seu redor e já são tratados como plenos consumidores. Apreciem. EM LIQUIDAÇÃO, A AUTO-ESTIMA Maria Helena Masquetti [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=horadeacordar.wordpress.com&amp;blog=5176629&amp;post=58&amp;subd=horadeacordar&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Estamos aqui novamente em nosso encontro periódico e nesta semana trago-lhes um texto da psicóloga Maria Helena Masquetti que trata sobre os efeitos nocivos da propaganda nas crianças, indivíduos que apenas começam a discernir sobre o mundo ao seu redor e já são tratados como plenos consumidores. Apreciem.</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 330px"><img title="Retirado do site SuperNanny" src="http://www.supernanny.com.br/imagens/brinquedo.jpg" alt="Retirado do site SuperNanny" width="320" height="480" /><p class="wp-caption-text">Retirado do site SuperNanny</p></div>
<p class="western">
<p class="western"><strong>EM LIQUIDAÇÃO, A AUTO-ESTIMA</strong></p>
<p class="western">Maria Helena Masquetti</p>
<p class="western">
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"> &#8220;Pode-se evitar os raios solares com as persianas, e combater o gelo com um bom fogo na lareira; mas a umidade penetra furtivamente em nós enquanto dormimos; ela é silenciosa, imperceptível, ubíqua&#8221;. Esta descrição de Virgínia Woolf serve bem como ilustração para a penetração sorrateira da comunicação mercadológica em nossas vidas. Neste Dia Mundial dos Direitos do Consumidor, 15 de março, esta questão chama ainda mais nossa atenção quando nos lembramos do modo como as crianças foram eleitas à categoria de público alvo-preferido das estratégias de vendas. Focando em primeiro lugar crianças e adolescentes, a publicidade atinge justamente seus pontos vulneráveis — ou seja, o fato de a criança ser propensa a crer em tudo o que ouve e vê.</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"> Elevado à categoria de necessidade, por mensagens dirigidas muito mais à emoção do que à razão, cada produto parece dizer, tal como no bordão cômico, &#8220;Seus problemas acabaram!&#8221;. Por não estarem ainda maduras física e mentalmente, é natural das crianças tentar evitar o desconforto das frustrações inerentes à vida civilizada. Em contrapartida, deve ser natural dos adultos a capacidade de ajudar a criança a governar seus impulsos e suportar o vazio de não poder ter tudo, ensinando a ela que o sentido de existir é exatamente participar da vida como ela é e não do modo artificial como a mídia tenta reinventá-la.</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"> &#8220;Prazer de dirigir&#8221;, &#8220;prazer de morar&#8221;, &#8220;prazer de comer&#8221;. Com tanto prazer à venda, tornam-se cada vez mais insuportáveis as frustrações naturais da condição humana. Não se pode ganhar sem trégua, assim como não se pode esperar que faça somente verão o ano todo. Neste mundo do consumo, estamos sempre tentando chegar &#8220;lá&#8221;. Lá onde, afinal? Consumir sem limites e perceber, no minuto seguinte, que o vazio continua igual ou pior, é tão desolador quanto ver reduzida a um padrão universal a singularidade de cada criança. Com suas mensagens dúbias, a publicidade obriga fingindo não obrigar, e exclui justamente ao não diferenciar os que podem esbanjar dos que sequer podem comer.</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"> &#8220;Para você que já tem idade para brilhar&#8221;, promete a nova linha de cosméticos. Em que moral e ética baseia-se o anúncio, veiculado recentemente, em revista dirigida às pré-adolescentes, para afirmar qual a idade certa para uma criança brilhar? Antes dessa idade elas eram o que, então? As crianças, quando livres da compulsão consumista, limitam, isto sim, o brilho as vendas. É assim que dia-a-dia deixamo-nos penetrar pela imposição vertical de conceitos que nos dizem o que querem e não ouvem sequer nossas perguntas mais simples: &#8220;Como assim?&#8221;, &#8220;Por quê?&#8221;, &#8220;Quem disse?&#8221;. Lembrando as palavras do filósofo e psicólogo Pedrinho Guareschi: &#8220;A consciência é o quanto de resposta alguém consegue oferecer a uma pergunta e, diante da publicidade, a criança não tem o recurso necessário para sequer fazer a pergunta&#8221;.</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"> Se, para nós, adultos, dotados de juízo crítico, o poder material se confunde com a realização íntima, o que pensar dos pequenos diante da manobra astuta de vendas que, no lugar da qualidade do tênis, oferece como atributo o sucesso na carreira esportista? Esse fato faz com que a luta pelos direitos do consumidor se estenda para além dos direitos à segurança, qualidade, opção, informação, atenção e direito de escolha. Mesmo que todos esses requisitos fossem cumpridos ao pé da lei pelo mercado, não estariam contemplando o problema maior que é o fato da criança ser elevada à categoria de consumidor sem ter condições físicas ou mentais para isso, ou seja, quando ela ainda está construindo sua cidadania.</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"> Ninguém duvida que uma criança não pode comprar um apartamento ou carro. Embora as crianças não possam praticar os atos da vida civil, entre eles trabalhar, ganhar dinheiro e adquirir produtos, a comunicação mercadológica contradiz essa disposição legal ao abordar a criança como consumidora. Jean Baudrillard denuncia esta contradição numa cultura que enquanto protege as crianças de um lado as desprotege do outro: &#8220;A criança é transformada pela mídia no modelo ideal de consumidor. Se, por um lado, ela não é considerada socialmente como um ser completo, por outro, na perspectiva de sua inserção na cultura, ela é plena para o exercício do consumo&#8221;.</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"> Do brincar espontâneo de nossas crianças já quase não temos registro. Uma volta, volta e meia e <em>plim!</em>: a infância desapareceu. Aos seis anos ou menos, o cavalinho e a pipa já são brinquedos de &#8220;nerd&#8221;. E por falta de pilhas, o pião não pode mais rodopiar. Este vampirismo moderno visa implantar nas crianças a vida falsa do consumismo, sugando-lhes, em troca, a seiva do prazer de existir. Precisamos protegê-las disso, antes que as previsões da psicóloga e autora Alice Miller, colhidas ao longo de sua experiência clínica, possam se confirmar para sempre: &#8220;Enquanto não nos sensibilizarmos pelo sofrimento das crianças, esse exercício de poder continuará despercebido, tomado como irrelevante e totalmente trivializado, por tratar-se ’apenas de crianças’. Em vinte anos, essas crianças se tornarão adultos que farão seus filhos pagar a conta&#8221;.</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"> Tomando para si o gosto infantil do fazer de conta, a publicidade finge querer o melhor para as crianças com toda sorte de apelos em busca de sua atenção. Assim, o bombardeio publicitário não cessa no admirável mundo da gratificação imediata e do nem parece que é &#8211; hospitais que nem parecem hospitais, bancos que nem parecem bancos, roupinhas de bebê que nem parecem roupas de bebê e mães que nem parecem que acabaram de dar a luz. Tudo para nos vender produtos de uma realidade construída sobre a base arenosa de um mundo só de prazer. Com mensagens dirigidas muito mais à emoção que à razão, cada produto parece ser a resposta exata aos nossos mais profundos anseios. Nunca os adultos foram tão tratados como crianças e nunca as crianças foram tão promovidas precocemente a adultos.</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"> Procurar evitar a dor ou os aborrecimentos faz parte das defesas humanas. Porém, não é bom que tenhamos êxito nisso constantemente. Suportar o vazio da ausência de alguém ou de um objeto desejado, ao mesmo tempo que dói, nos impede de mascarar a dor e, sobretudo, ativa os recursos internos de que dispomos para sobreviver a ela. Nossa sanidade mental depende disso. É uma lástima ver tanta gente – principalmente crianças e jovens – fugindo, via consumo, para o mundo do alívio ilusório. Quanto mais destemidos e protetores forem os ’nãos’ que dissermos às nossas crianças, maior a sensação de segurança que elas introjetarão. Antes, porém, de dizermos o ’não’, precisamos testar em nós mesmos o bem-estar que ele pode causar. Um bom começo pode ser parar de comprar todo esse prazer padrão pré-determinado e dar uma chance ao gosto de escolher sem ser escolhido. E, no lugar do zapear de canais, pôr para tocar a música que, talvez agora, possa fazer mais sentido do que nos fazia antes: &#8220;Ou feia ou bonita, ninguém acredita na vida real&#8221;.</span></p>
<p class="western" align="right"><span style="font-size:small;">Texto publicado em 17 de março de 2008.</span></p>
<p class="western" align="right"><span style="font-size:small;">Disponível em:</span></p>
<p class="western" align="right"><span style="font-size:x-small;"><a href="http://diplo.uol.com.br/2008-03,a2264"><span style="font-size:small;">http://diplo.uol.com.br/2008-03,a2264</span></a></span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/horadeacordar.wordpress.com/58/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/horadeacordar.wordpress.com/58/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/horadeacordar.wordpress.com/58/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/horadeacordar.wordpress.com/58/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/horadeacordar.wordpress.com/58/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/horadeacordar.wordpress.com/58/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/horadeacordar.wordpress.com/58/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/horadeacordar.wordpress.com/58/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/horadeacordar.wordpress.com/58/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/horadeacordar.wordpress.com/58/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/horadeacordar.wordpress.com/58/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/horadeacordar.wordpress.com/58/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/horadeacordar.wordpress.com/58/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/horadeacordar.wordpress.com/58/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=horadeacordar.wordpress.com&amp;blog=5176629&amp;post=58&amp;subd=horadeacordar&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Retirado do site SuperNanny</media:title>
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	</item>
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		<title>Crescer sempre. Mas crescer como?</title>
		<link>http://horadeacordar.wordpress.com/2009/01/06/53/</link>
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		<pubDate>Wed, 07 Jan 2009 01:25:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>thiagodemattos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crescimento Econômico]]></category>

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		<description><![CDATA[Olá leitores! Mais uma semana, mais conteúdo novo aqui no blog. O texto da vez constitui uma reflexão crítica acerca do desenvolvimento subjugado ao Produto Interno Bruto. Aborda como este indicador foi criado, por que se tornou a referência em medição de crescimento econômico e quais suas implicações no mundo contemporâneo. Apreciem. PIB: UM INDICADOR [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=horadeacordar.wordpress.com&amp;blog=5176629&amp;post=53&amp;subd=horadeacordar&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="western">Olá leitores!</p>
<p class="western">Mais uma semana, mais conteúdo novo aqui no blog. O texto da vez constitui uma reflexão crítica acerca do desenvolvimento subjugado  ao Produto Interno Bruto. Aborda como este indicador foi criado, por que se tornou a referência em medição de crescimento econômico e quais suas implicações no mundo contemporâneo. Apreciem.</p>
<p class="western">
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 361px"><img title="Retirado do site economiafinancas.com" src="http://economiafinancas.com/wp-content/uploads/pib.jpg" alt="Retirado do site economiafinancas.com" width="351" height="480" /><p class="wp-caption-text">Retirado do site economiafinancas.com</p></div>
<p class="western"><strong>PIB: UM INDICADOR ANACRÔNICO</strong></p>
<p class="western">Hazel Henderson</p>
<p class="western">Tradução: Beatriz Jordão</p>
<p class="western">
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">Durante a Cúpula da Terra de 1992, no Rio de Janeiro, 170 governos assinaram a Agenda 21, concordando em corrigir erros na definição do Produto Nacional Bruto (PNB) e da sua respectiva versão doméstica, o PIB. Desde então, as instituições de estatística vêm trabalhando para se adequar à possível mudança.</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">Movimentos engajados na luta por justiça social, direitos humanos e proteção do ambiente têm pressionado políticos, empresários e banqueiros relutantes, assim como economistas e estatísticos, para que levem em conta a necessidade de correção. Mas muito investimento, financeiro e intelectual, concentrado nesse sistema onipresente de indicadores, para o qual crescimento econômico é sinônimo de &#8220;progresso&#8221;.</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">Quais são as limitações do PIB/PNB e por que grupos de tantas origens e atividades diferentes exigem correções? Por que o sistema PIB/PNB perturba tanto as agendas que buscam ampliar o direito à saúde, educação, meio-ambiente, direitos humanos, justiça social e paz?</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">Vamos, primeiro, fazer uma retrospectiva. O economista Simon Kuznets, que desenvolveu o PIB/PNB, nunca os imaginou como indicadores gerais do progresso de um país: &#8220;A riqueza de uma nação dificilmente pode (&#8230;) ser aferida pela medida da renda nacional&#8221;, disse ele em 1932, durante testemunho perante o Congresso dos EUA. O uso destes indicadores, cuja base essencial é o dinheiro, difundiu-se durante a II Guerra Mundial. Era uma forma de mensurar a produção voltada para o conflito: tanques, aviões, automóveis e todos os outros bens e serviços comercializados com base na economia monetária de uma nação.</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">Desde então, na maioria das economias industriais, o setor de serviços cresceu mais que o de bens. Por isso, os estatísticos estão constantemente revisando os componentes do PIB, em função da evolução das sociedades e das tecnologias. No entanto, estas correções chocam-se contra uma barreira. Como o PIB inclui apenas a produção medida em dinheiro, os indicadores nacionais ignoram muitos dos custos sociais e ambientais do processo produtivo – assim como fazem as corporações. Os manuais de economia referem-se a tais custos, impostos à sociedade e às gerações futuras, como <em>externalidades</em>. Significa que poderiam ser omitidas ou deixadas de lado nos balanços de uma companhia e, conseqüentemente, também no PIB.</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">Nos anos 60, grupos de ativistas começaram a se dar conta dos efeitos perversos causados pela obsessão empresarial pelo lucro. Eles perceberam que as metas do PIB também ignoravam aspectos mais amplos do progresso nacional e até estimulavam, sutilmente, o mau comportamento. Por exemplo: bens ambientais como florestas e estoques de peixes oceânicos não são levados em conta no PIB. Portanto, um país pode cortar toda a sua floresta e registrar o valor da venda da madeira como ganho no PIB, sem que nenhuma perda seja computada, em nenhum lugar.</span></p>
<p class="western" align="justify"><a name="nh1"></a><span style="font-family:Arial,sans-serif;">Ao longo da última década, algumas companhias começaram a prestar contas dos custos sociais e ambientais de sua produção. Eles foram internalizados nos balanços, na forma de relatórios baseados no princípio </span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><em>triple bottom line</em></span><span style="font-family:Arial,sans-serif;">, [<a name="nh1" href="http://diplo.uol.com.br/2007-12,a2026#nb1">1</a>], hoje adotado por mais de 600 corporações globais. No entanto, não foram feitas as correções correspondentes no PIB. De acordo com manuais de economia, o PIB ainda estabelece como nulo o valor de bens ecológicos vitais, como ar limpo, água e biodiversidade; ou o de seres humanos saudáveis; ou o do trabalho não-remunerado (educação das crianças, manutenção do lar, cuidados com doentes e idosos, serviço voluntário etc). Tais valores devem corresponder a cerca de 50% de toda a produção, mesmo em sociedades industrializadas.</span></p>
<p class="western" align="justify"><a name="nh2"></a><span style="font-family:Arial,sans-serif;">Desde a Cúpula da Terra, grupos da sociedade civil vêm pressionando seus governantes, acadêmicos e estatísticos a criar indicadores mais abrangentes de progresso e qualidade de vida. Muitas cidades do mundo todo — de Jacksonville e Seattle, nos EUA, a São Paulo [<a name="nh2" href="http://diplo.uol.com.br/2007-12,a2026#nb2">2</a>] e Xangai, — têm hoje seus próprios índices de qualidade de vida, que levam em conta muitos outros indicadores, além do dinheiro e da economia. Por exemplo, dados de saúde pública, ambiente, desigualdades e direitos humanos.</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">Ainda assim, a mídia dominante continua submissa ao PIB, alheia a todas as suas deficiências. Muitos desses novos e mais abrangentes indicadores de qualidade de vida podem ser encontrados em websites. Medem aspectos como os rastros (anti-)ecológicos de sociedades consumistas, a emissão de carbono proveniente de atividades que demandam muita energia, os abismos sociais, os mapas dos bolsões de riqueza e pobreza, a porcentagem de cidadãos encarcerados nos vários países.</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">Os economistas, os estatísticos, suas agências e seus aliados acadêmicos continuam fazendo esforços para reunir e compilar dados sobre danos ambientais e custos sociais. Mas ao invés de subtrair esses custos do PIB, eles os mantêm como &#8220;contas-satélites&#8221;. A mídia e o público acabam julgando que tais levantamentos são de pequena importância. Eles são igualmente ignorados pelos ministérios ligados ao mundo empresarial e às finanças, que zelam pelo crescimento do PIB. Os ministérios mais fracos, normalmente relacionados à educação, saúde, bem-estar, aos direitos humanos e ao meio ambiente, costumam prestar atenção a essas contas, mas não são páreo para as finanças, os bancos centrais e, muito menos, para as corporações poderosas – todos interessados em manter um PIB no qual os custos sociais e ambientais são externalizados.</span></p>
<p class="western" align="justify"><a name="nh3"></a><span style="font-family:Arial,sans-serif;">Hoje, estes custos são visíveis e crescentes: aquecimento global, desertificação, incêndios, enchentes, secas e destruição ambiental. Por isso, as críticas ao PIB alcançaram escala mundial. Surgem disputas entre entre políticos e grupos de interesse que se beneficiam da visão de &#8220;progresso&#8221; expressa pelo PIB e o resto da sociedade, obrigada a tolerar os custos e os riscos inerentes a esse padrão de crescimento. O &#8220;PIB verde&#8221; da China, [<a name="nh3" href="http://diplo.uol.com.br/2007-12,a2026#nb3">3</a>]introduzido em 2004, é constantemente confrontado pelos líderes do mercado local, que se beneficiam da fórmula de crescimento embutida no PIB tradicional -– mesmo quando os cidadãos chineses têm de suportar a poluição e as perdas de suas terras para investidores. O indicador de Felicidade Nacional Bruta do Butão inspirou estudos, mundo afora, sobre como as sociedades podem medir e promover a felicidade.</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">Até mesmo economistas uniram-se à crítica ao PIB, como é o caso de Joseph Stiglitz e do psicólogo Daniel Kahnmann (ambos ganhadores do Prêmio do Banco da Suécia, muitas vezes confundido com o Prêmio Nobel). Num esforço paralelo, muitos pedem que se contabilize, numa conta anexa ao PIB, o valor real dos investimentos em infra-estrutura (rodovias, aeroportos, universidades, hospitais). Seria um contraponto ao aumento das dívidas públicas: uma vez que esses patrimônios são ignorados no PIB, a dívida do país acaba sendo superestimada, resultando num aumento da taxa de juros dos títulos emitidos pelo Estado. Da mesma forma, o PIB trata a educação como um custo, ao invés de um investimento que a sociedade faz para desenvolver cidadãos bem formados e produtivos.</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">Se você agora acha que o PIB/PNB é uma loucura, tem toda razão. A maré, no entanto, está mudando. O Parlamento Europeu está promovendo a conferência &#8220;Beyond GDP&#8221; nos dias 19 e 20 de novembro, em Bruxelas. Talvez as 27 nações da União Européia sejam as primeiras a avançar além do modelo de crescimento do PIB e incorporem todas as estatísticas disponíveis sobre saúde, educação, desigualdade e direitos humanos, que foram abandonadas nas &#8220;contas-satélites&#8221;. Esse novo PIB pode vir a integrar todos os fatores envolvidos em nossa qualidade de vida. Agora sabemos que, quando fechamos intencionalmente os olhos a todas essas <em>externalidades</em>, estamos criando verdadeiras bombas-relógio de risco.</span></p>
<p class="western" align="justify">
<p class="western" align="justify"><strong><span style="font-family:Arial,sans-serif;">Notas</span></strong></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">[<a name="nb1" href="http://diplo.uol.com.br/2007-12,a2026#nh1">1</a>] </span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><em>Triple bottom line</em></span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"> é um dos conceitos associados à responsabilidade social das empresas. Refere-se a </span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><em>People</em></span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"> (Sociedade), </span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><em>Planet</em></span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"> (Ambiente) e </span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><em>Profit</em></span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"> (Lucros). Estes seriam os três objetivos das empresas — que não mais deveriam se limitar à busca de lucros. Para mais informações, consultar a Wikipedia, em <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Triple_bottom_line">português</a> ou <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Triple_bottom_line">inglês</a> (verbete mais completo)</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">[<a name="nb2" href="http://diplo.uol.com.br/2007-12,a2026#nh2">2</a>] A criação de indicadores alternativos de qualidade de vida é uma das preocupações centrais do movimento <a href="http://www.nossasaopaulo.org.br/">Nossa São Paulo, Outra Cidade</a>, que começou a ser construído no final de 2006. Já há esboços de indicadores mais amplos, como se pode ver <a href="http://www.nossasaopaulo.org.br/Orcamento.pdf">aqui</a>. Ler, também, <a href="http://diplo.uol.com.br/2007-08,a1894">&#8220;Saudável heresia em São Paulo</a>, </span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><em>Le Monde Diplomatique Brasil</em></span><span style="font-family:Arial,sans-serif;">, 18/8/2007</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">[<a name="nb3" href="http://diplo.uol.com.br/2007-12,a2026#nh3">3</a>] O &#8220;PIB verde&#8221; chinês foi calculado em 2005 e 2006. Ao anunciar a adoção do indicador, em 2004, o primeiro-ministro Wen Jiabao chegou a afirmar que ele substituiria gradativamente o PIB tradicional. A novidade consistia em monetizar, de modo estimativo, os custos representados por fatores como emissão de CO2 e destruição de ecossistemas. Estes valores eram subtraídos do PIB total. Os resultados foram reveladores: as taxas de crescimento chinesas, em torno de 10% ao ano há mais de duas décadas, caíam a pouco mais de zero, quando descontadas as perdas ambientais. Houve forte reação de autoridades e executivos e o cálculo do &#8220;PIB Verde&#8221; foi interrompido em 2007. Ver (em <a href="http://www.env-econ.net/2005/07/from_the_answer_1.html">inglês</a>) explicação mais detalhada sobre a metodologia.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;">
<p class="western" align="right"><span style="font-size:small;">Texto publicado em 05 de dezembro de 2007.</span></p>
<p class="western" align="right"><span style="font-size:small;">Disponível em:</span></p>
<p class="western" align="right"><span style="font-size:x-small;"><a href="http://diplo.uol.com.br/2007-12,a2026"><span style="font-size:small;">http://diplo.uol.com.br/2007-12,a2026</span></a></span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/horadeacordar.wordpress.com/53/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/horadeacordar.wordpress.com/53/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/horadeacordar.wordpress.com/53/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/horadeacordar.wordpress.com/53/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/horadeacordar.wordpress.com/53/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/horadeacordar.wordpress.com/53/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/horadeacordar.wordpress.com/53/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/horadeacordar.wordpress.com/53/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/horadeacordar.wordpress.com/53/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/horadeacordar.wordpress.com/53/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/horadeacordar.wordpress.com/53/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/horadeacordar.wordpress.com/53/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/horadeacordar.wordpress.com/53/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/horadeacordar.wordpress.com/53/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=horadeacordar.wordpress.com&amp;blog=5176629&amp;post=53&amp;subd=horadeacordar&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Retirado do site economiafinancas.com</media:title>
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		<item>
		<title>Carros: Máquina de veneno?</title>
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		<pubDate>Tue, 30 Dec 2008 12:48:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>thiagodemattos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Aquecimento Global]]></category>
		<category><![CDATA[Caos Urbano]]></category>

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		<description><![CDATA[Bom dia! Trago desta vez, neste pequeno espaço informativo, um texto de um membro da ATTAC que trata sobre um problema crescente em todas as grandes cidades do mundo: O trânsito. Trago-lhes pela primeira vez ainda um texto que sinto a real necessidade de tecer algumas breves críticas aos argumentos do autor. Apesar de não [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=horadeacordar.wordpress.com&amp;blog=5176629&amp;post=47&amp;subd=horadeacordar&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Bom dia!</p>
<p>Trago desta vez, neste pequeno espaço informativo, um texto de um membro da ATTAC que trata sobre um problema crescente em todas as grandes cidades do mundo: O trânsito. Trago-lhes pela primeira vez ainda um texto que sinto a real necessidade de tecer algumas breves críticas aos argumentos do autor. Apesar de não concordar em alguns argumentos, creio que a publicação de textos que exponham pontos de vista diferentes enriquecem a discussão e o debate acerca do tema e corroboram na busca das melhores alternativas aos problemas. Recomendo aos leitores que leiam, em primeiro lugar, o texto original de Jose Leite e em seguida retornem para as breves linhas escrita abaixo contendo minhas críticas ao texto original. O intuito deste movimento é que minhas críticas não influenciem sua percepção acerca do texto original e permita-os que se sintam a vontade para tecer suas próprias críticas nos comentários desse blog.</p>
<p><strong>Crítica</strong>: O texto de José Correa Leite culpabiliza em demasia o Estado desreconhecendo o próprio papel do Estado como promotor das vontades de uma sociedade democrática. Ao passo que argumenta de forma violenta contra a passividade do Estado perante o problema da grande circulação de carros, o autor externaliza sua própria opinião para o bojo da opinião pública, quando o retrato real que temos é de uma sociedade que a cada dia demanda por mais e mais concessões de automóveis privados. Todavia, Jose Leite faz o chamado a sociedade para o combate ao modelo exposto ao fim do texto, reconhecendo a importância da opinião pública dentro de uma sociedade democrática.</p>
<p>Outro ponto importante a ser destacado é o caráter radical do autor ao sugerir um rompimento imediato com o modelo de transportes automobilístico e particular (privado) sem reconhecer a incapacidade do Estado de transportar toda essa massa de cidadãos com a infraestrutura atualmente implantada. Com isso, o Estado estaria infringindo de forma categórica o direito constitucional do cidadão brasileiro de ir e vir. De forma alguma estou me posicionando a favor do modelo vigente, porém as soluções precisam ser implementadas com cuidado para que o cidadão não saia ainda mais lesado. Soluções alternativas já estão sendo implementadas e um bom exemplo fica na cidade em que resido, o Rio de Janeiro, que está implementando um sistema de bicicletas públicas conhecido como SAMBA(Solução Alternativa para Mobilidade por Bicicletas de Aluguel), o sistema é ainda deficiente e apresenta alguns problemas estruturais, no entanto sinaliza para uma preocupação por parte do Estado de investir em soluções alternativas para o transporte. Resta a sociedade garantir a contrapartida.</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 478px"><img title="Retirado do Site Starmonitor" src="http://www.starmonitor.com/A_Porto/A6/News6_2.jpg" alt="Retirado do Site Starmonitor" width="468" height="297" /><p class="wp-caption-text">Retirado do site StarMonitor</p></div>
<p class="western"><strong>UMA VIDA ABSURDA, ACEITA COMO NATURAL</strong></p>
<p class="western">José Correa Leite</p>
<p class="western">
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"> O governo, os empresários e a mídia comemoraram, em 2007, a produção de três milhões de automóveis no Brasil. Agora, ambicionam uma meta ainda maior. Grande parte desses carros foi vendida na cidade de São Paulo. Todos os dias, 650 novos automóveis (além de 250 motos) são licenciados. São apenas os últimos acréscimos a uma frota de seis milhões de veículos — a segunda do mundo. A capital paulista enfrenta um trânsito cada vez mais lento, forçando grande parte da população a passar horas e horas em congestionamentos.</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"> Apesar do aumento do preço do petróleo, a indústria automobilística mundial conhece um de seus maiores <em>booms</em>. Fabricantes indianos e chineses introduzem no mercado veículos de 2.500 dólares, que cedo ou tarde chegarão aqui. No Brasil, carros zero são agora financiados em até 99 meses.</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"> É perceptível que a velocidade de circulação nas cidades brasileiras está caindo rapidamente (o Rio de Janeiro está seguindo o caminho de São Paulo). Todos vêm sentindo as conseqüências tanto da irresponsabilidade das autoridades para com o transporte coletivo quanto da expansão sem barreiras da frota de veículos. A quantidade dos que rodam em São Paulo cresceu. Em um ano, houve um aumento de 7%, sendo três quartos automóveis que, normalmente, circulam apenas com seus motoristas. A enorme expansão do número de motocicletas (cerca de um milhão), autorizadas pela legislação em vigor a circular entre as faixas, também contribui para degradar o trânsito e aumentar as mortes em acidentes.</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"> Os problemas não se restringem ao trânsito. A poluição, causada essencialmente pelos veículos, em São Paulo, voltou a piorar, agravando, também, as tendências ao aquecimento da região.</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"> Temendo desgastar-se, a prefeitura não adota medidas de restrição à circulação de veículos — como pedágios urbanos, praticados nas capitais européias, exclusão dos automóveis particulares do centro velho, aumento do rodízio (como fez a Cidade do México) e da fiscalização (um terço da frota é irregular), maiores restrições a caminhões no centro ou a simples expansão das zonas azuis. Também não acelera a criação de corredores exclusivos de ônibus, por pressão dos comerciantes e moradores das vias onde eles seriam implantados.</span></p>
<p class="western" align="justify"><a name="nh1"></a><a name="nh2"></a><span style="font-family:Arial,sans-serif;"> O prefeito Gilberto Kassab afirmou que os congestionamentos são resultado da falta de investimento municipal na expansão do metrô nos últimos 32 anos. Para Kassab, agora “não adianta chorar sobre o leite derramado” [<a name="nh1" href="http://diplo.uol.com.br/2008-05,a2337#nb1">1</a>]. O presidente da Companhia de Engenharia de Tráfego (e seu gestor em vários governos conservadores) Roberto Scaringella foi mais franco: não haverá “medidas radicais que dariam fluidez” ao trânsito, porque “podem impactar negativamente a economia”. “A conseqüência é que a gente terá de aprender a conviver com um número maior de quilômetros de lentidão. Quando eles se excedem, não gera um colapso da cidade, mas a deterioração e a delinqüência urbana”, completou Scaringella [<a name="nh2" href="http://diplo.uol.com.br/2008-05,a2337#nb2">2</a>]. Pressionada pela imprensa, a prefeitura acabou anunciando uma série de medidas, mas elas são cosméticas: redução do espaço para estacionamento em algumas ruas, divulgação de rotas alternativas às vias principais etc.</span></p>
<p class="western" align="justify"><a name="nh3"></a><span style="font-family:Arial,sans-serif;"> A atuação do governo do Estado também é marcada pela inação. Ele não acelera a expansão do metrô e, tampouco, cumpre as metas de construção da Linha 4 &#8211; Amarela, onde os métodos privatistas geraram sucessivos desastres e atrasos [<a name="nh3" href="http://diplo.uol.com.br/2008-05,a2337#nb3">3</a>]. Perdido em disputas menores de rateio dos custos com a prefeitura, o governo, nem mesmo, geri uma integração adequada com a rede de ônibus.</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"> É absurdo que duas ou três horas por dia da vida de dez milhões de pessoas seja jogada fora, em um estresse sem propósito. Mas o sistema do automóvel está tão profundamente arraigado no imaginário das pessoas que elas têm dificuldades de perceber seu caráter grotesco. É aceito como natural ou inevitável, permitindo que governantes ajam de forma irresponsável.</span></p>
<p class="western" align="justify"><a name="nh4"></a><span style="font-family:Arial,sans-serif;"> No entanto, como afirma o arquiteto Paulo Mendes da Rocha, “é como se tivéssemos inventado uma máquina de produzir veneno e, todo dia, nos empenhássemos em aprimorá-la. A questão dos transportes é fundamental. Não se trata, puramente, de introduzir conforto. Trata-se de ver que, queimar petróleo para transportar uma pessoa de 60 quilos numa lataria de 700 quilos, que não anda, é um erro grave. É repugnante ver a cidade congestionada de carros que não andam. A questão não é fazê-los andar, é ver que isso não tem saída, o transporte individual é uma bobagem. Construir túneis e viadutos é aprimorar a máquina do veneno. E já não importa que o carro não ande, porque você vê todo mundo lá dentro falando no celular, usando o laptop&#8230; É a rota do absurdo” [<a name="nh4" href="http://diplo.uol.com.br/2008-05,a2337#nb4">4</a>].</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"> O proprietário do carro impõe, a toda sociedade, custos que ele não paga no IPVA ou quando compra o automóvel. Ocupação do espaço público (50% do território urbano em São Paulo é dedicado ao transporte), perda de tempo, danos à saúde de milhões de pessoas etc. O correto é que o uso do transporte individual seja desestimulado, o coletivo favorecido e o usuário do carro passe a pagar por todo o impacto que provoca.</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"> Parece evidente que não se pode esperar nada dos governantes! Esse é um problema que São Paulo só poderá enfrentar se organizar um movimento cidadão que reúna força política para libertar a cidade da ditadura do automóvel. Uma mobilização com propósitos claros, capaz de impor uma expansão da oferta e qualidade do transporte público e reduzir o espaço para o carro.</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"> Assistimos, nos últimos anos, ao acúmulo de uma série de problemas de novo tipo, gerados pela lógica sem freios do mercado. Esse cobram um preço humano e ambiental cada vez maior.</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"> O caso mais notório é o do aquecimento global, resultado de toda a economia do petróleo, carvão e automóvel, associada ao consumismo desenfreado. Ela exige pensarmos a atividade produtiva em função das necessidades humanas e não da busca do lucro e, portanto, do crescimento. Mas, como manter o capitalismo sem a maior expansão possível?</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"> E agora os moradores de São Paulo enfrentam as conseqüências da irracionalidade que representa a “racionalidade” do mercado. Cada um busca satisfazer seus desejos na lógica do transporte (ou do consumo) individual, sem que haja intervenção do poder regulador de caráter público tolhendo os absurdos que o consumismo carrega.</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"> Todas são questões que colocam a necessidade de outra vida e de outra organização da nossa sociedade em discussão.</span></p>
<p class="western"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><strong>Notas</strong></span></p>
<p class="western"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">[<a name="nb1" href="http://diplo.uol.com.br/2008-05,a2337#nh1">1</a>] </span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><em>Folha de S.Paulo</em></span><span style="font-family:Arial,sans-serif;">, 7/3/2008, p. C6.</span></p>
<p class="western"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">[<a name="nb2" href="http://diplo.uol.com.br/2008-05,a2337#nh2">2</a>] </span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><em>Folha de S.Paulo</em></span><span style="font-family:Arial,sans-serif;">, 9/3/2008, p. C3</span></p>
<p class="western"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">[<a name="nb3" href="http://diplo.uol.com.br/2008-05,a2337#nh3">3</a>] Quando licitada em 2001, a Linha 4 &#8211; Amarela estava prevista para entrar em operação em 2006. Mas, na melhor das hipóteses, ela começará a funcionar de forma parcial, em 2010!</span></p>
<p class="western"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">[<a name="nb4" href="http://diplo.uol.com.br/2008-05,a2337#nh4">4</a>] Entrevista concedida à </span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><em>Carta Capital</em></span><span style="font-family:Arial,sans-serif;">, 15 de agosto de 2007, p. 64</span></p>
<p class="western" align="right"><span style="font-size:small;">Texto publicado em 06 de maio de 2008.</span></p>
<p class="western" align="right"><span style="font-size:small;">Disponível em:</span></p>
<p class="western" align="right"><span style="font-size:small;"><a href="http://diplo.uol.com.br/2008-05,a2337">http://diplo.uol.com.br/2008-05,a2337</a></span></p>
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